Conselho militar sudanês nega golpe de Estado
Comitê promete governo comandado por civis; ditador ficou no governo por 30 anos
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sexta-feira, 12 de abril de 2019
Comitê promete governo comandado por civis; ditador ficou no governo por 30 anos
France Presse 

Cartum - No dia seguinte da destituição de Omar al Bashir, que ficou no poder durante 30 anos no Sudão, a junta militar desmentiu nesta sexta-feira (12) ter dado um golpe de Estado em uma tentativa por dar tranquilidade à comunidade internacional e aos manifestantes. O chefe do comitê político da junta, o tenente geral Omar Zinelabidine, declarou que o “papel do conselho militar é proteger a segurança e a estabilidade do país”.
"Iniciaremos um diálogo com os partidos políticos para estudar como governar o Sudão. Haverá um governo civil e não interviremos em sua composição", disse Zinelabidine, repetindo as garantias formuladas antes pelos chefes militares. Os militares afirmaram que Bashir está detido, mas que não será entregue ao exterior. O Tribunal Penal Internacional tem um pedido de prisão ao ex-presidente por crimes de guerra.
Em protesto pelas decisões dos militares, manifestantes passaram a sexta noite consecutiva diante do quartel general das Forças Armadas em Jartum, apesar do toque de recolher. Diante do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), o embaixador do Sudão na entidade, Yasir Abdelsalam, tentou dissipar os temores da comunidade internacional. “O conselho militar será o garantidor de um governo civil”, disse.
Por ocasião de uma grande manifestação pela oração desta sexta, milhares de mulheres e homens vestidos de branco compareceram ao quartel-general das Forças Armadas sob um sol escaldante, segundo testemunhas. "É o nosso lugar. Vamos continuar até que a vitória seja alcançada, até conseguirmos um governo de transição", disse o manifestante Abu Obeida. "Estou impressionado com o que todos esses jovens estão fazendo aqui", disse Husein Mohamed, um idoso que disse ter vindo de Omdourman, perto de Cartum.
Após o anúncio da destituição de Al-Bashir, no poder desde um golpe de Estado em 1989, a multidão comemorou nas ruas. Mas esse entusiasmo durou pouco e os manifestantes pediram para continuar o protesto, que teve início com a decisão do governo em 19 de dezembro de triplicar o preço do pão em plena crise econômica. "As pessoas não querem um conselho militar de transição", mas "um conselho civil", declarou na quinta-feira (11) Alaa Salah, uma estudante que se transformou e, "ícone" do movimento.
Os Estados Unidos, que sempre designaram o Sudão como um dos seus piores inimigos, pediram "uma participação de civis no governo" e celebraram um "momento histórico".
No Sudão do Sul, que conquistou a independência em 2011 após 22 anos de conflito, Riek Machar, líder rebelde oposto ao poder, disse que espera que a destituição de Al-Bashir não afete o processo de paz em curso no seu país, em guerra civil desde 2013.
Al-Bashir tentou reprimir os protestos pela força antes de estabelecer em 22 de fevereiro o estado de emergência em todo o país, conseguindo enfraquecer a mobilização até o último sábado (6). De acordo com um balanço oficial, 49 pessoas morreram desde 19 de dezembro.


