Para a presidente do CNE, Tibisay Lucena, denúncia de que houve manipulação no resultado da Assembleia Constituinte não tem fundamento
Para a presidente do CNE, Tibisay Lucena, denúncia de que houve manipulação no resultado da Assembleia Constituinte não tem fundamento | Foto: Federico Parra/AFP



São Paulo - A presidente do CNE (Conselho Nacional Eleitoral) da Venezuela, Tibisay Lucena, disse nesta quarta-feira (2) que a denúncia de que houve manipulação no resultado da Assembleia Constituinte é "irresponsável" e "sem fundamento". Mais cedo, a empresa responsável pelo processo de votação da Constituinte venezuelana afirmou que o número sobre o comparecimento de eleitores às urnas foi manipulado pelo governo. "É uma afirmação irresponsável com base em estimativas sem fundamentos", disse Tibisay.

Segundo o CEO da Smartmatic, Antonio Mugica, os resultados registrados pelos sistemas da companhia e os relatados pelo CNE da Venezuela indicam "sem qualquer dúvida" que os números de participação oficial na eleição foram inflados. "Nós estimamos que a diferença entre a participação de fato e a anunciada por autoridades seja de ao menos 1 milhão de votos", disse Mugica em Londres.

Segundo o governo venezuelano, mais de 8 milhões de pessoas (41,53% do total de eleitores do país) votaram a Constituinte. O número é contestado por opositores, que dizem que o processo é concebido para dar ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, poderes para suprimir o Congresso dominado pela oposição.

A Smartmatic foi criada pelos venezuelanos e começou a fornecer equipamentos de votação em 2004 durante a Presidência de Hugo Chávez. Atualmente a empresa fornece tecnologia eletrônica de votação para vários países.

De acordo com Mugica, a companhia conseguiu detectar a manipulação por causa do sistema eleitoral automatizado da Venezuela e uma auditoria permitirá conhecer a quantidade exata de participação. Segundo ele, o sistema desenvolvido pela empresa foi concebido para "revelar qualquer manipulação de resultados".

Contudo, segundo Mugica, os números produzidos por este sistema "podem ser ignorados pelas autoridades, que podem anunciar números errôneos no lugar". Por isso, o CEO ressaltou a necessidade de auditorias pelos partidos de oposição para validar os números proclamados. Durante a eleição da Assembleia Constituinte, "a oposição não participou" no controle dos números, disse Mugica. Autoridades venezuelanas não responderam às acusações. Após a votação, o governo dos Estados Unidos impôs sanções a Maduro e declararam que a Venezuela é uma ditadura.

mockup