São Paulo - O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas aprovou ontem em Genebra uma resolução condenando o regime do ditador Bashar al Assad pelas ''grosseiras e sistemáticas'' violações perpetradas por suas forças de segurança desde março, quando os protestos pela renúncia do líder começaram. Desde então mais de 4 mil pessoas já morreram, segundo a ONU.
O Conselho composto por 47 membros analisou a proposta de resolução apresentada pela União Europeia. O texto foi aprovado por 37 países. Quatro votaram contra (China, Rússia, Equador e Cuba) e seis se abstiveram (Angola, Bangladesh, Camarões, Índia, Filipinas e Uganda).
Embora tenha apoiado a realização de uma sessão extraordinária para discutir o relatório que revelou crimes contra a humanidade na Síria, o Brasil não teve direito a voto durante a análise da resolução por não ser membro do Conselho neste momento, confirmou o Itamaraty.
Entre as violações identificadas pelas Nações Unidas estão execuções (incluindo crianças), e sérios crimes contra a humanidade. Na quinta-feira, a alta comissária de direitos humanos da ONU, Navi Pillay, disse que o país se encontra em estado de guerra civil.
''Ações apropriadas''
Aumentando a pressão sobre o regime sírio, a resolução pede que os principais órgãos da ONU considerem o relatório apresentado nesta semana que revelou crimes contra a humanidade e ''tomem ações apropriadas''.
Além disso, um posto especial de investigador de direitos humanos sobre a Síria foi criado pelo Conselho para que haja um monitoramento constante da situação no país.
O embaixador da Síria para a ONU em Genebra, Faysal KhabbazHamoui, disse que a resolução foi ''politizada'', teve como objetivo ''fechar portas'' e pediu que todos os países votassem contra.
Os EUA, que votaram a favor, viram os resultados com bons olhos. ''Definimos o cenário de uma forma muito significativa para uma forte ação da ONU se outras entidades escolherem aproveitar esta oportunidade'', disse a embaixadora dos EUA no órgão, Eileen Chamberlain Donahoe.
''As provas às quais tivemos acesso não deixam dúvida sobre a cumplicidade das autoridades da Síria e nos dá uma base muito forte de credibilidade para que outras instituições sigam adiante onde tiverem um mandato para isto'', acrescentou.
Questionada se ela se referia ao Tribunal Penal Internacional (TPI), ela disse: ''absolutamente, incluindo o TPI se o Conselho de Segurança escolher se referir a este assunto''.

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