Associated Press
De Nova York
Após um ano de impasse, o um Conselho de Segurança da ONU profundamente dividido aprovou ontem uma nova política para o Iraque, que prevê a retomada das inspeções internacionais de armas no país e a suspensão das sanções, caso Bagdá coopere.
A resolução foi aprovada por 11 votos a zero, 2 a mais que o mínimo necessário, mas muito aquém da unanimidade pretendida pelos EUA e pela Grã-Bretanha. Três dos cinco membros permanentes do conselho se abstiveram: China, França e Rússia, além da Malásia, evidenciando as divisões do organismo.
Apesar das abstenções, a Resolução 1.284 tem força de lei internacional. ‘‘É quase um milagre que tenhamos chegado a um resultado sobre este assunto tão difícil’’, comemorou o embaixador britânico Jeremy Greenstock, o patrocinador da resolução. ‘‘O conselho tem agora a política de que precisa, e esta resolução é agora a lei do mundo.’’
O embaixador iraquiano nas Nações Unidas, Saeed Hasan, negou-se a fazer comentários, mas assinalou que em breve o governo se pronunciaria.
O Iraque alega que não tem mais armas de destruição em massa. A ONU retirou seus inspetores de armas do Iraque há um ano, antes que os EUA e a Grã-Bretanha lançassem ataques aéreos contra o país como punição por Saddam não cooperar totalmente com as inspeções. Desde então, Bagdá nunca permitiu o retorno dos inspetores e insiste no levantamento total das sanções impostas pela comunidade internacional após a invasão iraquiana do Kuwait, em 1990. Sob resoluções anteriores da ONU, as sanções só podem ser levantadas quando os inspetores concluírem que o país está livre de armas proibidas.
A nova resolução cria a Comissão de Monitoramento, Verificação e Inspeção da ONU (Unmovic), com a tarefa de retomar a supervisão da destruição do armamento químico e biológico iraquiano. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) continua encarregada de vigiar o programa iraquiano de armas nucleares.
A resolução propõe suspender as sanções por períodos renováveis de 120 dias se os inspetores relatarem que o Iraque está cooperando com eles ‘‘em todos os aspectos’’.

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