Ansa
De Caracas
A estratégia de mudanças políticas ‘‘sem traumas’’ na Venezuela e a preocupação internacional levaram a Constituinte a concretizar um acordo que garante a sobrevivência do Congresso, disseram nesta terça-feira porta-vozes da Assembléia.
‘‘Desde o primeiro momento traçamos uma linha (...) de diálogo com os poderes constituídos e com o propósito de fazer as mudanças políticas sem violência nem traumas desnecessários’’, disse à imprensa Luis Miquilena, presidente da Constituinte.
Miquilena esclareceu que a Constituinte, dominada por seguidores do presidente Hugo Chávez, não está disposta ‘‘a retroceder nem um milímetro’’ em sua intenção de ‘‘servir como catapulta para as mudanças políticas que o país reclama’’.
‘‘Se não é necessário o confronto traumático, não o aplicaremos. Mas se for necessário, o assumiremos, pois é fundamental que se entenda que a Constituinte não está lá para fazer o que fez a velha política. Impulsionaremos as mudanças’’, prometeu.
Por sua parte, o primeiro vice-presidente da Assembléia, Isaías Rodríguez, admitiu em entrevista a uma radio local que, ‘‘certamente, a situação fora do país nos animou a buscar um entendimento com o Congresso’’. Ele disse que muitos jornalistas os fizeram sentir preocupação por uma visão ‘‘deformada do que realmente está ocorrendo no país’’, a respeito de supostas posições de ‘‘autoritarismo, dissolução do Congresso, da Corte Suprema de Justiça e a concentração de poder por parte da Assembléia’’.
A Constituinte e o Congresso concordaram em pôr fim à crise de poderes suscitada nas últimas semanas, após a Assembléia restringir o Parlamento. Ainda esperando para esta quinta-feira o anúncio dos termos do acordo, Rodríguez disse prever que uma comissão delegada do Congresso, que vinha funcionando desde o recesso ordinário de férias, se reinstalará no próximo mês.

mockup