O Congresso Nacional paraguaio deve decidir hoje se o estado de sítio, decretado pelo presidente Luis González Macchi (Partido Colorado) deve continuar nos próximos três dias. A medida restringe direitos dos civis, que estão proibidos de fazer manifestações e aumenta poderes das Forças Armadas, que podem prender sem mandado judicial.
A aprovação ou não da medida depende de maioria simples dos votos dos 124 parlamentares (80 deputados e 44 senadores). O quórum deve ter no minimo metade dos representantes de cada casa do Poder Legislativo. Os parlamentares oviedistas seriam minoria em Assunção.
Ontem, o Partido Colocado classificou o movimento popular de ''miserável'', além de acusar o ex-general Lino Cesar Oviedo de planejar o golpe. O PC lamentou o fato do Brasil abrigar o principal adversário do presidente paraguaio.
Líder das pesquisas presidenciais, Lino Oviedo é condenado a dez anos de prisão por uma tentativa frustrada de golpe em 1996.
O vice-presidente, Julio Cesar ''Yoyito'' Franco (Partido Liberal Radical Autêntico) é aliado político do ex-general. Ele assumiu compromisso de convocar eleições presidenciais caso Oviedo retorne ao país vizinho.
PrisõesA Polícia Nacional do Paraguai prendeu 158 pessoas que estariam envolvidas nos confrontos. Ontem, elas não sabiam quando seriam liberadas. Composto por 108 homens, 47 adolescentes e 3 mulheres, o grupo dormiu no chão, inclusive os feridos que receberam alta do hospital. Um brasileiro detido foi solto na madrugada.
Os presos denunciaram falta de comida, água e infra-estrutura do abrigo, enquanto parentes permaneceram o dia no quartel a espera de notícias. O desempregado Hilário Garay, 42, atingido por uma bala nas nádegas não conseguia sentar. ''Fui medicado rapidamente e continuo como muita dor''. Sem banheiro, eles usaram os cantos do depósito para urinar
O comandante da Polícia Nacional, Julio Meza Pintos, admitiu a deficiência. ''Todo ser humano tem direito a um atendimento adequado, mas estamos sem condições adequadas''. Conforme ele, o Ministério Público ouvirá os presos, porém não falou em prazos para os depoimentos. A prioridade seria liberar os 47 jovens com menos de 20 anos.

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