Congresso do Equador resiste à dolarização
Agência Estado
De Quito
Pelo terceiro dia consecutivo, o governo equatoriano tentava ontem à noite, em sessão extraordinária do Congresso, aprovar os nomes de dois novos diretores do Banco Central, para substituir os que saíram, por não concordar com a dolarização da economia. A aprovação dos diretores é o primeiro teste político da dolarização.
A dolarização ganhou ontem um importante aliado: o ex-presidente León Febres Cordero, prefeito de Guayaquil, a maior cidade do país. Ele declarou que a dolarização era imprescindível para conter o estampido inflacionário. O prefeito de Guayaquil chamou de palhaços os criadores do autoproclamado Parlamento Popular, liderado pela Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie). Os religiosos na Igreja e os loucos no manicômio, completou o prefeito, referindo-se ao arcebispo de Cuenca, Alberto Luna Toba, aclamado presidente do Parlamento Popular, cujos 800 delegados se declaram em desobediência civil e pretendem constituir um governo paralelo e dissolver o Congresso e a Corte Suprema.
A Conaie ameaça bloquear as principais estradas do país, cortar o abastecimento das cidades e reunir 40 mil índios para tomar Quito hoje, quando o presidente Jamil Mahuad estará apresentando seu informe ao Congresso sobre 17 meses de mandato. O governo confirmou o pronunciamento do presidente e disse que o poder público garantirá a integridade do Congresso. As Forças Armadas e a polícia têm um plano de contingência para manter a ordem.





