São Paulo - O Congresso da Bolívia rejeitou ontem a proposta do presidente Carlos Mesa de adiantar as eleições gerais em dois anos, classificando o pedido de ''inaceitável e inconstitucional''.
Em sessão extraordinária, os congressistas discutiram por mais de cinco horas a situação política do país e aprovaram em poucos minutos uma resolução de um parágrafo previamente elaborada em consenso entre as bancadas.
Na resolução, o Congresso diz que resolveu ''declarar inaceitável a solicitação do presidente da República para que o Poder Legislativo elabore uma lei interpretativa do artigo 93 da Constituição Política do Estado, por falta de base legal e por ser contrária à Constituição''.
Mesa pediu terça-feira a antecipação das eleições gerais na Bolívia para o dia 28 de agosto, em pronunciamento em cadeia nacional. O motivo alegado pelo presidente foi a grave crise política e social que atinge o país.
Ontem ele entregou ao Congresso um projeto de lei para abreviar seu mandato que termina em 2007. Há uma semana, o Congresso rejeitou um pedido de renúncia de Mesa.
Os líderes dos plantadores de coca, que se opõem à Mesa, desbloquearam as ruas entre a noite de quarta-feira e a manhã de ontem, depois que o Congresso aprovou uma proposta para os royalties dos hidrocarbonetos próxima à reivindicada pela oposição.
Os sindicatos do setor de energia da Bolívia querem elevar o pagamento de royalties pelas petrolíferas estrangeiras de 18% a 50%, enquanto Mesa deseja manter 18% de royalties e criar um Imposto Complementar sobre o Combustível de 32%.

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