Confusão e anarquia nas ruas de Kinshasa
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de maio de 1997
France Presse 
KINSHASA - A situação em Kinshasa se tornava cada vez mais anárquica durante o dia de ontem, ao mesmo tempo em que se anunciava a entrada dos rebeldes e no centro eram escutados tiroteios de armas automáticas.
Dois homens jaziam no meio da rua, cercados de uma grande mancha de sangue coagulado, consequência dos ferimentos de bala sofridos.
Moradores dizem que guardas civis postados no mercado central prenderam e mataram deliberadamente os dois homens, sem nenhuma razão aparente.
Um deles tem vários tiros no estômago, o outro no pescoço. Nenhum dos dois aparenta mais de 30 anos.
Os moradores insistem em que não eram saqueadores e que foram assassinados deliberedamente e não vitimados por alguns das centenas de disparos para o ar escutados continuamente. Respira-se medo em cada canto da capital.
Perto do hotel Memling, onde se hospeda a maioria dos jornalistas, uma multidão canta e agita bandeiras brancas para mostrar seu apoio ao líder rebelde Desiré Kabila.
Queremos Kabila, cantam. Estamos esperando Kabila. E cantando e gritando, se dirigem ao mercado central por uma rua poeirenta. Ignoram que no mercado a guarda civil continua disparando para o ar.
Parlamento ocupado Os rebeldes zairenses tomaram ontem à tarde a sede do parlamento de transição e a principal estação de rádio-televisão.
Um grupo de jornalistas que incluía a AFP chegou ao Palácio do Povo sob escolta da ONU e viu dezenas de soldados rebeldes que controlavam a sede parlamentar e o prédio de A Voz do Zaire.
Os soldados estavam fortemente armados.
Perto dali, na entrada do estádio principal da cidade, havia três corpos de soldados em um carro crivado de balas.
O premier zairense, general Likulia Bolongo, fugiu ontem de Kinshasa para Brazzaville, informaram fontes seguras na capital zairense.


