Confrontos se agravam no Oriente Médio
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terça-feira, 05 de dezembro de 2000
Associated Press De Jerusalém 
Intensos tiroteios entre israelenses e palestinos ocorreram na manhã de ontem nas proximidades de um local sagrado na bíblica Belém, provocando reclamações de Yasser Arafat que carregou uma arma em público pela primeira vez desde que retornou de seu exílio em 1994 de que Israel violou um acordo para acalmar a situação.
Enquanto isso, o ex-primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu retornou dos Estados Unidos em meio a muitas especulações sobre o fato de ele estar planejando voltar a concorrer ao cargo.
O tumulto político em Israel, que obrigou o premier Ehud Barak a concordar com a antecipação das eleições, e a onda de violência na região, que já deixou cerca de 300 mortos, pareciam alimentar um ao outro enquanto o país atravessava mais um dia tenso.
Netanyahu aterrissou ontem no aeroporto Ben-Gurion, nas proximidades de Tel Aviv e foi imediatamente cercado por jornalistas, que perguntavam se ele concorreria ao cargo de primeiro-ministro.
Mantive reuniões nos Estados Unidos com alguns dos melhores amigos de Israel e eles expressaram preocupação com a situação de nosso país, contou Netanyahu. Esta preocupação é compartilhada por milhares de cidadãos israelenses, e não foi um número insignificante o dos que vieram a mim pedindo para que eu volte a liderar o país. Seus três anos de governo, entre 1996 e 1999, foram marcados por constantes atritos com líderes palestinos e esporádicas explosões de violência.
Mas o atual levante palestino deixou alguns israelenses desiludidos com Barak e seu modo de conduzir o processo de paz. Atualmente, Netanyahu está à frente de Barak por um diferença de dois dígitos nas pesquisas de opinião pública.
Enquanto isso, o Exército de Israel informava sobre choques entre palestinos e israelenses horas antes do amanhecer de ontem nas proximidades de um santuário judaico nas proximidades de Belém, uma cidade cisjordaniana controlada pelos palestinos.
O Exército afirmou que atiradores palestinos atacaram de três lados o local sagrado de Belém, reverenciado pelos judeus como a Tumba de Raquel, o ponto onde estaria enterrada a matriarca bíblica, e aparentemente tentaram tomá-lo. Palestinos disseram que os confrontos tiveram início depois que soldados e colonos judeus atacaram fiéis muçulmanos.
Helicópteros israelenses dispararam dois mísseis contra o campo de refugiados palestinos de Aida, nas proximidades de Belém. Quatorze palestinos ficaram feridos. Arafat afirmou que o bombardeio israelense foi um choque porque havíamos concordado em acalmar a situação.
Arafat havia acabado de retornar de uma visita ao Catar e explicou que carregava uma arma porque colonos judeus tinham bloqueado a principal passagem norte-sul de Gaza, a rodovia pela qual ele tinha de passar para chegar à Cidade de Gaza.
As tensões haviam aumentado na noite de domingo quando, de acordo com o Exército, moradores da vila de Hussan, nas proximidades de Belém, jogaram coquetéis molotov contra motoristas israelenses que dirigiam por uma estrada transversal.
Mais tarde, soldados e colonos judeus entraram em Hussan e abriram fogo contra palestinos que se dirigiam à mesquita de Hussan para as orações noturnas. O Exército afirmou que feriu a tiros um palestino que havia tentado se apossar da arma de um soldado, mas negou que tenha atacado fiéis.
Pesados tiroteios eclodiram então nas proximidades da Tumba de Raquel. Um porta-voz do Exército, major Yarden Vatikay, disse que foi um dos mais intensos tiroteios em mais de nove semanas de confrontos. Os constantes combates já deixaram mais de 300 mortos, a ampla maioria de palestinos.


