Os confrontos entre manifestantes contrários e favoráveis ao governo do presidente do Egito, Hosni Mubarak, continuaram na madrugada de hoje (3) nas ruas na capital egípcia, o Cairo. É o décimo dia de protestos no país.

A violência é intensa. Só nesta manhã quatro pessoas morreram vítimas de tiros disparados, elevando para sete o número de mortos nas últimas 24 horas.

"Tivemos quatro mortos vítimas de balas", afirmou o médico Mohamed Ismail, que está em um hospital de campanha montado ao lado da Praça Tahrir – que se transformou no centro das manifestações.

De acordo com organizações não governamentais, nos últimos dias foram registrados 300 mortos. Segundo o Ministério da Saúde egípcio, mais de 600 pessoas ficaram feridas na Praça Tahrir. Em geral, os ferimentos foram causados por pedras atiradas durante o protesto.

Durante a noite de ontem (2) e a madrugada de hoje, as agressões entre grupos de manifestantes se intensificaram, principalmente nas imediações da Praça Tahrir. Uma das situações envolveu dois homens que estavam no interior de uma viatura policial e foram retirados por manifestantes que os espancaram.

Outro episódio foi um tanque do Exército que avançou na direção de manifestantes pró-Mubarak. Os simpatizantes do atual governo são chamados pela imprensa estatal de manifestantes pró-estabilidade.

União Européia


A crise política no Egito e os protestos em vários países muçulmanos dominaram os debates ontem (2) na sessão do Parlamento Europeu. Os parlamentares defenderam a saída do presidente do Egito, Hosni Mubarak, do governo. Também admitiram que falharam ao demorar na sua manifestação.

Presente à sessão, a alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Catherine Ashton, disse que a situação no Mediterrâneo "chegou a um ponto de não retorno" e que tem de haver uma mudança. As informações são do Parlamento Europeu.

"O mundo árabe vive uma série de mudanças positivas" , afirmou a representante da União Europeia. "As reformas devem ser levadas a cabo com criatividade e determinação. É vital tomar medidas urgentes e decisivas. Chegou o momento de uma transição ordenada", disse.

Ashton acrescentou que é grande a preocupação com a instabilidade que se vive no país. Ela pediu que as autoridades libertem os manifestantes pacíficos.

O deputado inglês Charles Tannock lembrou que o Egito teve apenas três presidentes nos últimos 50 anos. "Quando há tão pouca esperança de mudança, a situação explode. Os Estados Unidos e a Europa têm que insistir na democracia. Há modelos democráticos que podem servir de referência, como na Indonésia ou na Turquia", disse.

A crise na Tunísia também foi debatida. Depois que a pressão popular conseguiu retirar do poder o presidente Zine Abidine Bem Ali – sob a acusação de corrupção, desvio de recursos públicos e violação de direitos humanos – e instaurar um governo provisório, é necessário garantir a ordem e a democracia no país.

Ashton afirmou que serão revistas as prioridades da União Europeia em relação à Tunísia "para adaptá-las às necessidades sociais" e que serão apoiadas as ações das organizações não governamentais na região. Também serão congelados os bens de integrantes do governo Ali. Ela não mencionou nomes.

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