La Paz-Confrontos entre indígenas aymaras e policiais deixaram ontem dois mortos e exacerbaram os protestos iniciados na Bolívia há 12 dias, para exigir a renúncia do presidente Gonzalo Sánchez de Lozada e contra a exportação de gás pelo Chile.
O mineiro José Atahuichi, 59 anos, e o estudante Ramiro Vargas, 22, morreram em conflitos numa região do altiplano andino perto de La Paz que também registraram pelo menos dez feridos, segundo diversas fontes.
Com as duas mortes de ontem eleva-se a oito o número de mortos nos protestos feitos por organizações sindicais. Os choques de ontem aconteceram durante uma greve convocada por organizações civis na cidade de El Alto, vizinha de La Paz, a quarta mais povoada e uma das mais pobres do país, a cuja jurisdição territorial pertence Ventilla, onde ocorreram os incidentes.
A ministra de Participação Popular, Mirtha Quevedo, explicou que a operação policial militar tentou frear a marcha de mineiros da jazida de Huanuni, porque tinha o objetivo de ''convulsionar La Paz'', sede do governo boliviano, também abalada por protestos de rua.
Um panelaço aglutinou por sua vez mil mulheres que se manifestaram pelas ruas de La Paz em oposição à venda de gás.
Pela primeira vez desde o início do conflito, a cidade de Santa Cruz (leste) foi palco de uma marcha de protesto desde Montero (100 km ao norte) também em oposição à exportação de gás.

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