Confrontos marcam primeiro dia de Festa do Sacrifício, em Jerusalém
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domingo, 11 de agosto de 2019
Ahmad Gharabli e Guillaume Lavallée - France Presse 
A polícia israelense e fiéis palestinos se enfrentaram neste domingo (11) na Esplanada das Mesquitas em Jerusalém, no primeiro dia da festa muçulmana do Aid al-Adha, a Festa do Sacrifício, que coincide com a celebração judaica do Tisha Beav.
O Crescente Vermelho palestino informou que 61 pessoas ficaram feridas e 15 delas foram hospitalizadas. A polícia israelense relatou que quatro de seus agentes tiveram ferimentos e que sete pessoas foram detidas.
Inicialmente, as forças de segurança bloquearam o acesso dos judeus ao local, para evitar tensões. Diante das críticas, voltaram a abrir a única porta de entrada.
Após a oração na mesquita de Al-Aqsa, situada na Esplanada, vários palestinos começaram a cantar palavras de ordem contra a polícia e a lançar objetos na direção dos agentes. Buscando dispersar a multidão, a polícia recorreu a bombas de efeito moral.
"É nossa mesquita, é nosso Aid, mas o Exército chegou e começou a agredir e a lançar granadas de efeito moral", disse à AFP, na mesquita, Assia Abu Snineh, 32.
Chamado de "Nobre Santuário" pelos muçulmanos e "Monte do Templo" pelos judeus, a Esplanada das Mesquitas é o terceiro lugar sagrado do Islã e o maior para os judeus. Encontra-se em Jerusalém Oriental, setor palestino da cidade ocupado e anexado em 1967 por Israel, apesar da rejeição da maioria da comunidade internacional.
Os judeus estão autorizados a entrar no recinto em horários específicos, mas não podem rezar ali, para evitar a escalada de tensões.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse ter decidido autorizar os judeus a entrarem "em consulta com os corpos de segurança".
"A questão não era saber se eles poderiam ir lá, mas de encontrar a melhor maneira para (garantir) a segurança pública e foi o que nós fizemos", declarou em vídeo publicado no WhatsApp.
A festa judaica de Tisha Beav relembra a destruição de seus dois Templos: pelos babilônios, em 587 a.C.; e pelos romanos, no ano 70 da nossa era.
Israel considera toda Jerusalém sua capital indivisível, enquanto os palestinos querem que o setor leste seja a capital de seu Estado. Os confrontos nesta parte da cidade são comuns e se acentuam em determinadas datas.


