São Paulo - Pelo menos seis pessoas morreram ontem durante confrontos entre opositores e partidários do presidente deposto do Egito, Mohamed Morsi, no Cairo. As mortes acontecem um dia após outras três pessoas terem morrido em conflito na segunda-feira.
A violência acontece em meio a uma série de intensos protestos de aliados da Irmandade Muçulmana, à qual Morsi é vinculado, e de militantes cristãos e liberais, que apoiam o governo provisório. No dia 3, Morsi foi retirado do poder após um golpe coordenado pelos militares.
Ontem os confrontos começaram antes do amanhecer perto de um protesto da Irmandade Muçulmana na Universidade do Cairo, onde partidários do presidente deposto estão acampados desde que o Exército depôs o político islâmico.
A Irmandade Muçulmana, grupo de Morsi, descreveu o incidente como um ataque a manifestantes pacíficos, mas a polícia diz que centenas de partidários de Morsi entraram em confronto com moradores e vendedores ambulantes. Tiros foram disparados e pedras foram lançadas.
O número de mortos foi confirmado pelo Ministério da Saúde ao jornal local Al Ahram. Outras 33 pessoas ficaram feridas. Já a Irmandade Muçulmana afirma que sete pessoas morreram durante a madrugada em ataques à Universidade do Cairo e a um acampamento no norte da capital egípcia.
Houve confrontos também na Península do Sinai, área de grande instabilidade política desde 2011, quando foi deposto o ditador Hosni Mubarak. No norte da região, um civil e um policial morreram após protestos contra a deposição de Morsi.
Cerca de 100 pessoas já morreram em confrontos desde que o Exército depôs Morsi e o substituiu com uma administração interina liderada por Adly Mansour, presidente do tribunal constitucional.
A Irmandade diz que vai manter os acampamentos até que Morsi, que está detido pelo Exército em um local desconhecido desde sua deposição, seja reempossado. O governo provisório chegou a pedir a participação da Irmandade na nova administração, mas a entidade recusou qualquer vinculação com a administração.

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