Confrontos continuam, apesar de acordo
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terça-feira, 17 de outubro de 2000
Associated Press De Belém 
Um frágil acordo de cessar fogo não foi capaz de impedir uma onda de tiroteios, mas o primeiro-ministro israelense Ehud Barak prometeu implementar o cessar fogo declarado ontem em uma cúpula para solucinar a crise no Oriente Médio. Esperava-se que o líder palestino Yasser Arafat fizesse uma promessa semelhante no fim da noite de ontem.
Após 20 dias de combates que já deixaram mais de 100 mortos, não estava claro se a trégua seria capaz de se estabelecer em meio ao clima de hostilidade, enquanto alguns israelenses e palestinos já previam o fracasso.
Israel tenciona implementar sua percepção do que foi sugerido, declarou Barak após retornar da cúpula realizada no balneário egípcio de Sharm el-Sheik. As forças de segurança israelense serão meticulosas em seus esforços para acabar com a violência e evitar a perda de mais vidas.
Tiroteios foram iniciados antes de o presidente norte-americano Bill Clinton anunciar a trégua. Dois palestinos morreram e um policial israelense ficou gravemente ferido em confrontos ocorridos em Jerusalém.
Israel garantiu que esperaria para ver se os distúrbios se apaziguariam nas horas seguintes ao anúncio do acordo alcançado no Egito entre Barak e Arafat, com Clinton indo de um lado para o outro entre os dois.
Espero que com o resultado desta noite (de terça-feira) nós possamos ver a diminuição do alcance da violência, afirmou Danny Yatom, assessor de segurança de Barak.
Um funcionário do alto escalão do governo israelense que viajou com Barak disse que ambos os lados também chegaram a um acordo secreto de segurança, alegação esta negada pelos palestinos.
Pouco antes de a trégua ser anunciada, manifestantes palestinos dispararam tiros contra residências no bairro judeu de Gilo, na zona sul de Jerusalém. Os policiais de Israel responderam com disparos de metralhadoras de seus tanques. Um agente israelense ficou gravemente ferido devido a um tiro no peito. Diversas residências foram alvejadas por tiros.
Forças de segurança israelenses retiraram rapidamente cerca de 200 moradores judeus de suas casas. Ehud Olmert, prefeito de Jerusalém, disse que o tiroteio foi o primeiro teste do cessar fogo, o que foi, definitivamente, um erro.
O Exército israelense ordenou aos palestinos que deixassem suas casas em bairros próximos, ao longo de um pequeno vale, onde começou o tiroteio.
Se os atiradores palestinos continuarem disparando contra os bairros judeus, atacaremos tanto dos tanques quanto dos helicópteros, ameaçou o major general israelense Yitzhak Eitan.
O bairro de Gilo foi tomado por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Os palestinos acreditam que o local deve ser devolvido a eles.
A tensão também aumentava na Faixa de Gaza, onde centenas de palestinos atiraram pedras e coquetéis molotov contra um posto de checagem israelense durante a manhã. Dez pessoas ficaram feridas. Em novos combates ocorridos na parte da tarde, um policial palestino morreu com um tiro no peito, informaram médicos.
Horas antes do anúncio do acordo mediado por Clinton, o agricultor palestino Farid Nasrara, de 28 anos, foi morto a tiros por colonos judeus na cidade cisjordaniana de Nablus. De acordo com testemunhas e médicos, ele foi atingido no abdome por disparos de fuzis automáticos.
Testemunhas palestinas disseram não ter havido provocação para o tiroteio. Mas Yehoshua Mor-Yosef, porta-voz dos colonos, disse que seus colegas foram atacados com punhais e barras de ferro e dispararam tiros para o alto antes de mirar contra os palestinos. Dois colonos judeus foram presos pela polícia israelense.
Um terceiro palestino morreu ontem depois de ter sido baleado na cabeça há duas semanas. O número de mortos já chega a 102. A maioria das vítimas fatais é palestina.


