O presidente Fernando de la Rúa enviou missão para a província de Salta, onde há protestos contra o desemprego, e pressionou o Congresso a aprovar leis
O presidente Fernando de la Rúa, da Argentina, defendeu a atuação de seu governo em relação aos conflitos sociais do país, que provocaram violentas repressões na Província de Salta (norte do país), ontem, levadas a efeito por policiais e gendarmes. Os graves incidentes registrados naquela província, onde os confrontos entre a polícia e milhares de manifestantes incluíram tiroteios e bombas de gás lacrimogêneo, dominaram a atenção de uma reunião extraordinária de membros do gabinete e legisladores do partido oficial, convocada ontem, com urgência.
O presidente enviou uma missão de secretários de Estado da Capital Federal à Província de Salta para negociar com os manifestantes, e criou um ‘‘grupo de debates sociais’’ (uma comissão mista que se reunirá periodicamente), integrado por empresários e sindicalistas, com a finalidade de estudar a situação social do país e procurar soluções para os conflitos mais urgentes.
Na capital, o presidente pressionou seus ministros e os legisladores de seu partido para que acelerem a votação de uma série de leis, com o objetivo de apressar a reativação econômica do país. Mas a reunião foi dominada pela crise social da Província de Salta, e o presidente viu-se na necessidade de falar sobre o conflito.
De la Rúa assegurou que seu governo age ‘‘com prudência’’, e voltou a argumentar, como nos dias anteriores, que a má situação de algumas províncias deve-se aos efeitos da gestão de seu antecessor, Carlos Menem.
‘‘O que está acontecendo em Salta originou-se da má privatização da YPF (ex-companhia petrolífera estatal), e do uso político do Plano Trabalhar’’, disse o presidente.
O vice-presidente, Carlos Chacho Alvarez, afirmou, por sua vez: ‘‘Não podem exigir que, em quatro meses (o novo governo foi empossado em dezembro) solucionemos os desastres de 10 anos de menemismo’’ (alusão ao ex-presidente Carlos Menem).
As províncias do norte do país vivem uma situação especialmente grave na área social, em virtude de problemas estruturais que foram agravados pela recessão e do alto nível de desemprego.
As manifestações da Província de Salta devem-se também a uma questão de pontualidade; o governo deve o pagamento relativo a dois meses, pelos empregos do Plano Trabalhar - um plano que, contando com recursos do governo nacional, envia fundos às províncias, para pagamento dos respectivos funcionários públicos.
Uma das estradas principais da Província de Salta estava bloqueada por manifestantes desde há 10 dias. Uma ordem judicial emitida na madrugada de ontem permitiu que policiais e gendarmes expulsassem os manifestantes.
A repressão policial, que começou na madrugada de anteontem, foi violenta e deixou dezenas de feridos, embora os números não tenham sido confirmados até ontem à noite. Mais de mil gendarmes reprimiram, com gás lacrimogêneo e balas de borracha, os mais de 5 mil manifestantes que mantiveram interditada a Estrada 34 da Província. Na cidade de General Mosconi, onde o desemprego é superior a 50%, os distúrbios incluíram incêndios na Câmara Municipal saques de lojas, e uma manifestação pacífica de pessoas que levavam a imagem da Virgem de Fátima, em repúdio à ação violenta das forças de segurança. A insatisfação social em Salta é grande. O governador da Província, Juan Carlos Romero, está em férias em Israel.

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