Conflitos em Praga deixam 69 feridos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 26 de setembro de 2000
Andréia Lago Agência Estado De Praga 
Os confrontos entre manifestantes e policiais no primeiro dia oficial da 55ª Reunião Anual do FMI (Fundo Monetário Internacional) e Bird (Banco MUndial), ontem, em Praga, na República Checa, deixaram pelo menos 69 feridos. Durante toda a tarde, imagens exibidas pelas televisões de Praga mostraram choques violentos entre manifestantes e a polícia, com barricadas de pedras e objetos incendiados pelos grupos manifestantes e até coquetéis molotov. A polícia reagiu com bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral, além de jatos de água.
Os manifestantes, cerca de 5.000, dividiram-se em três grupos denominados por cores, sendo os do grupo amarelo os mais agressivos. O Jubileu 2000, uma das ONGs organizadoras do protesto, convocou entrevista para criticar a violência de alguns grupos.
O vice-diretor-gerente do FMI, Stanley Fischer, também condenou a violência de parte dos manifestantes, que atribuiu a pessoas que não têm interesse no diálogo. Não damos ouvidos aos manifestantes violentos, há 300 representantes de ONGs credenciados participando dos debates de forma construtiva e esses têm ajudado trazendo informações importantes sobre a situação em seus países, disse Fischer.
A Reunião Anual do FMI, entretanto, começou sem a presença de manifestantes nos arredores do Centro de Convenções. O prédio que concentra todas as atividades está cercado por policiais, com cordões de isolamento em todos os acessos e atiradores de elite na cobertura do prédio. Em todas as entradas do Centro de Convenções há identificação rigorosa e detectores de metais para o acesso ao prédio. Na ponte que dá acesso ao Centro de Convenções, onde três manifestantes foram presos anteontem depois de pendurarem-se na ponte como protesto contra a globalização e o FMI, o trânsito é lento e há policiais em todo o percurso.
Grupos de manifestantes tentaram aproximar-se do Centro de Convenções pela parte dos fundos do prédio, mas foram recebidos com bombas de gás lacrimogêneo e jatos de água pela polícia local. São grupos pequenos, formados por cerca de 200 manifestantes. Eles estão usando capacetes e pedaços de espuma colados ao corpo para enfrentar eventuais confrontos com a polícia.
No Brasil Protestos contra o FMI e a globalização também foram realizados no Brasil. As manifestações foram registradas em São Paulo, Belo Horizonte e Fortaleza.


