Conflitos alteram mapa turístico
O mapa dos destinos turísticos mundiais está sendo de novo esboçado devido aos conflitos armados ou às catástrofes naturais, uma síndrome vivida com aparente serenidade pela indústria da viagem.
O sequestro de 21 turistas na ilha malaia de Sipadan por parte de um grupo extremista filipino voltou a despertar inquietação entre o público dos países ricos que buscam destinos exóticos.
Os organizadores de viagens, que sempre acabam processados por esse tipo de incidentes, assinalam por sua parte que estão modificando rapidamente sua programação em função dos acontecimentos.
Na França, o operador Fram cessou por exemplo de programar circuitos em Casamancia (Sul do Senegal), depois do ataque mortal contra um de seus grupos em fevereiro.
Estamos em contato permanente com o Ministério de Relações Exteriores e nossos informantes locais para tomar decisões, insiste Gilles de la Ruelle, diretor comercial na França do grupo suíço Kuoni.
Este especialista em circuitos exóticos, em particular pela Ásia, assinala que não houve cancelamentos em massa para suas viagens na Malásia ou Filipinas, embora seja certo que esses destinos continuem sendo desconhecidos a olhos europeus.
Um ano depois do atentado islamita de Luxor, no Alto Egito, que provocou o massacre de 58 turistas (novembro de 1997), o destino atraía de novo as massas graças à publicidade financiada pelo Governo egípcio.
A Turquia muito afetada no ano passado pelas ameaças de atentados devido à prisão do líder curdo Abdullah Ocalan, e depois por dois terremotos mostra um início de temporada prometedor, segundo os profissionais desse país.
Em outros casos, os operadores mantêm seus destinos mesmo a risco de incidentes, à espera de que o ambiente esfrie.
É o caso dos circuitos de trekking no Iêmem, onde os sequestros são comuns e custaram a vida de quatro turistas ocidentais há 18 meses, e sobre o qual continuam trabalhando empresas francesas, como Explorator.
Algumas regiões continuam contudo irremediavelmente perdidas no limbo turístico.
O Saara argelino, por exemplo, considerado um dos desertos mais belos do mundo, só conta por enquanto na França com 25 turistas dispostos ao risco.
A primeira noite do circuito, organizado pela firma Explorator, é em Argel, num hotel com altas medidas de segurança, reconhecem os organizadores franceses.





