Curitiba - Entidades árabes promovem na segunda-feira, a partir das 9 horas, em Curitiba, um ato contrário à invasão norte-americana na Síria. A caminhada vai sair da Praça Santos Andrade e seguir até o final da Rua XV de Novembro, no Centro. A mobilização, conforme representantes árabes, quer chamar a atenção para a atitude arbitrária que está sendo tomada pelo governo dos Estados Unidos (EUA).
Na tarde de ontem a Comissão de Relações Exteriores do Senado dos EUA aprovou uma resolução que autoriza o presidente Barack Obama a intervir militarmente na Síria. A autorização ainda precisa passar por votação no plenário do Congresso na próxima segunda. Caso a retaliação à Síria e ao regime de Bashar al-Assad seja aprovada, os EUA poderão dar início aos ataques. Relatórios divulgados pela inteligência americana sustentam que mais de 1,4 mil pessoas morreram no último dia 21 de agosto, vítimas de ataques com produtos químicos.
Representantes árabes de Curitiba contestam esta informação, que vem sendo divulgada por agências de notícias internacionais. "Se realmente ocorreu algum ataque com produtos químicos, não foi realizado por ordem do presidente al-Assad. Provavelmente deve ter sido promovido por rebeldes apoiados por invasores de outros países que fazem fronteira com a Síria, inclusive de algumas nações patrocinadas pelos norte-americanos", destacou o cônsul honorário da Síria no Paraná e Santa Catarina, Abdo Dib Abaje. Estima-se que de 10 mil a 15 mil sírios e descendentes morem no Paraná.
De acordo com ele, já existe um histórico de intervenções feitas pelos EUA em outros países que são até hoje questionadas. "Os últimos países que sofreram invasão dos EUA estão atualmente numa situação de caos, como o Afeganistão e o Iraque. E agora querem fazer a mesma coisa, novamente sem justificativas", completou.
Ghassan Youssef, comerciante e membro do Conselho da Igreja Ortodoxa em Curitiba, disse não acreditar que o ataque vá ocorrer. Para ele o governo norte-americano está promovendo um "terror psicológico" com esta constante veiculação de notícias. "Tenho familiares que estão na Síria neste momento. Minha cunhada e sobrinha, por exemplo, foram para lá no dia 26 de agosto e me disseram que o povo está tranquilo, não há nervosismo nas ruas, nem apreensão. Além disso, temos certeza de que a notícia de que o próprio governo usou armas químicas contra a população é mentira. Bassar al-Assad tem apoio de mais de 80% do povo sírio e das comunidades de fora do País. Que objetivo ele teria em promover um ataque destes?"
Ghassan ainda lembra que especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) que estiveram no país ainda não têm respostas sobre o uso de produtos químicos. "Não há uma certeza absoluta. Assim como aconteceu no Iraque estão tentando justificar uma invasão da pior maneira. Se um ataque ocorrer, sem dúvida os sírios vão reagir mesmo não tendo o mesmo poderio militar", ressaltou.

Questionamentos
Omar Nasser Filho, diretor de comunicação da Sociedade Beneficente Muçulmana no Paraná, lembra que a própria opinião pública norte-americana questiona as atitudes do governo. "Além da própria população dos EUA, aliados tradicionais, como a Grã-Betanha, não se posicionaram favoravelmente ao ataque. Está difícil de se chegar num consenso sobre a questão. Isto demonstra a atitude autoritária que está ocorrendo. A opinião pública mundial está sendo sobreposta por interesses políticos e econômicos de uma elite norte-americana que comanda a estrutura militar e industrial bélica", reforçou.

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