France-PresseSilêncioTelevisão de Hong Kong transmite discurso de Clinton, mas jornais chineses ignoram o ‘‘sexgate’’PARIS - Dramática ou ridícula, ou ambas, alusões a uma conspiração ou às fraquezas da carne, o caso Lewinsky foi amplamente comentado ontem no mundo depois da confissão do presidente Bill Clinton, que se viu obrigado a reconhecer uma relação ‘‘imprópria’’ com uma ex-estagiária da Casa Branca.
Alguns jornais europeus como Ta Nea (da Grécia) ou El País (Espanha) usaram em suas manchetes a expressão ‘‘dramática’’ para referir-se à confissão e se aventuraram dizer que o futuro do presidente era ‘‘imprevisível’’.
Com efeito, os jornais espanhóis dedicaram as primeiras páginas à ‘‘dramática declaração’’ do presidente Clinton no caso Lewinsky (El País).
‘‘O presidente Clinton tentou fazer alguma coisa que não faz bem: dizer a verdade e admitir suas responsabilidades’’, anunciou a ABC.
Segundo El Mundo, ‘‘a confissão de Clinton, apesar de esperada’’, provocou reações de assombro entre os norte-americanos, que o haviam ouvido dizer o contrário há sete meses.
O Vaticano decidiu ignorar o chamado ‘‘sexgate’’. O jornal vespertino da Santa Sé, L’Osservatore Romano, evitou na edição de terça-feira qualquer referência às confissões de Clinton.
O jornal, que reflete a posição oficial da Igreja Católica, dedicou suas primeiras páginas à situação no Congo e na Irlanda.
O mesmo silêncio para com o ‘‘sexgate’’ foi observado nas páginas da imprensa chinesa, que ignorou o assunto por completo.
A imprensa italiana, em troca, apaixonou-se pelo escândalo e pelo golpe assestado ao ‘‘modelo’’ norte-americano. ‘‘Um modelo que declina’’, anunciou o editorialista do jornal milanês Corriere della Sera.
Para a imprensa israelense, o ‘‘escândalo Monica Lewinsky’’ debilita Clinton e fortalece o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
‘‘Embora não se demita, o presidente norte-americano sai prejudicado deste assunto e, no melhor dos casos, terá que se dedicar a refazer sua imagem no front interno norte-americano, longe do conflito do Oriente Médio’’, afirmou o Haaretz.
Para o jornal iraquiano Babel, dirigido pelo filho mais velho de Saddam Hussein, trata-se de um ‘‘complô sionista’’. De acordo com o jornal, se sair, Clinton seria substituído pelo vice-presidente Al Gore, ‘‘conhecido por sua grande aliança com o sionismo’’. (AFP)

mockup