Confirmada vitória de Medvedev na Rússia
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domingo, 02 de março de 2008
Das Agências 
Moscou - O presidente russo, Vladimir Putin, parabenizou ontem o sucessor Dimitri Medvedev por sua vitória nas eleições presidenciais, na Praça Vermelha de Moscou, entre os aplausos de jovens partidários que assistiam a um show de rock.
Mentor e discípulo permaneceram juntos durante o concerto, sorridentes e confiantes, enquanto a Comissão Eleitoral Central em plenos trabalhos outorgava a Medvedev, até o fechamento desta edição, 68,2% dos votos.
Medvedev garantiu que continuaria o ''caminho iniciado pelo presidente Putin''. ''Juntos iremos mais longe. Juntos ganharemos. Hurra!'', gritou o próximo presidente diante dos aplausos da multidão reunida na emblemática praça, junto ao Kremlin.
Putin defendeu ainda este processo eleitoral, muito criticado pela ausência de candidatos liberais e até supostas violações durante a votação. As eleições foram ''estritamente de acordo com a Constituição'', garantiu o atual presidente.
Medvedev, 42, que ofereceu a Putin o cargo de premiê logo após receber o apoio do presidente a sua candidatura, declarou que o país tem diante de si ''a oportunidade de prosseguir o desenvolvimento dos últimos anos, fortalecer a estabilidade, elevar a qualidade de vida e avançar''.
Enquanto Putin e Medvedev caminhavam soava uma das canções patrióticas preferidas do atual líder russo, interpretada pelo grupo de rock ''Liube'', dedicada aos soldados russos. O concerto intitulado ''Eu elejo a Rússia'' foi organizado por um dos movimentos próximos ao Kremlin.
Contestação
Fraude, observadores impedidos de entrar nas sessões e trabalhadores forçados a depositar seus votos nas urnas. Essas são algumas das supostas irregularidades das eleições russas que o Partido Comunista e uma organização não-governamental denunciaram.
''Infelizmente, ocorrem muitas violações'', declarou o líder comunista e candidato presidencial Gennady Zuganov. Em Tyumen (Sibéria), um membro da comissão eleitoral, que teria descoberto falsificações de votos em uma sessão eleitoral, ''foi deportado imediatamente'', declarou um membro do PC, Valery Rachkine.
Lilia Chibanova, diretora da ONG Golos, que acompanha as eleições, relatou casos em que observadores da sua organização não puderam entrar nas sessões eleitorais, incluindo Astrakhan (sul), Oufa (Urais) e São Petersburgo (noroeste).
Um Kovrov (centro), os trabalhadores da fábrica Degtiarev, que tem como diretor o chefe da campanha local de Medvedev, foram coagidos a votar, afirmou Ludmila Echanou, observadora da Golos.
Segundo as ONGs, autoridades estariam oferecendo entradas para discotecas ou rifas para sorteio de carros àqueles que votassem. Aos mais reticentes, previa-se medidas de pressão e represálias.
Na capital do país, um grupo de policiais impediu que Garry Kasparov, ex-campeão mundial de xadrez e líder opositor, entrasse na Praça Vermelha, durante manifestação. Além disso, pelo menos quatro militantes de esquerda foram presos.


