Apesar de uma ameaça de boicote por parte dos Estados Unidos, a alta comissária das Nações Unidas para os direitos humanos, Mary Robinson, afirmou ontem que a conferência mundial sobre o racismo, que começará na próxima sexta-feira em Durban, África do Sul, ''dará um passo decisivo na maneira de encararmos os erros do passado com o objetivo de construirmos um futuro melhor''.
Robinson afirmou estar se sentindo encorajada pela atmosfera construtiva das últimas semanas em torno da conferência, mas disse que será necessária ''a participação de todos os países, com seus mais altos representantes, para demonstrar nossa determinação em lutar contra esta praga (o racismo)''.
Mesmo assim, o secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, está praticamente decidido a não comparecer a Durban devido a uma proposta árabe para igualar o sionismo ao racismo, revivendo uma resolução da ONU que tratava do assunto. Por este motivo, os Estados Unidos talvez enviem uma missão menos importante, mas nenhuma decisão oficial fora tomada ainda sobre o assunto.
Segundo Robinson, progressos consideráveis foram atingidos em várias questões para tentar convencer os EUA e outros países a comparecerem à conferência.
''Temos demonstrado flexibilidade na busca por uma linguagem sobre questões que tocam o passado incluindo escravidão e colonialismo e o Oriente Médio'', disse Robinson. ''Uma coisa que eu gostaria de reafirmar é que há um claro entendimento de que a fórmula 'sionismo é igual ao racismo' já ficou para trás.'' De acordo com a comissária, o momento é para se olhar para frente. ''Nós queremos um documento final da conferência que funcione como um tipo de Magna Carta na luta contra o racismo. Acredito que Durban pode significar uma mudança histórica'', completou.
A Conferência será realizada entre 31 de agosto e 7 de setembro.

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