A sessão de encerramento da Conferência da ONU contra o Racismo em Durban, África do Sul, foi oficialmente adiada para hoje, informaram ontem à noite fontes da secretaria da ONU da conferência. A sessão ''começará entre 10 e 13 horas'' locais (5 e 8 horas de Brasília). As negociações sobre as declarações finais deveriam continuar durante toda a noite, segundo as fontes da secretaria. As discussões, muito difíceis, centram-se sobre os pontos polêmicos da conferência: a escravidão e o colonialismo e o Oriente Médio.
No início da tarde de ontem, não se sabia ao certo se a conferência ia chegar a uma declaração final sobre os principais pontos de conflito (indenização para os descendentes dos antigos escravos e a situação do Oriente Médio) antes da cerimônia de encerramento, que deveria ocorrer ontem. Por isto é que se definiu que a conferência iria se prolongar até o meio-dia de hoje. Segundo uma fonte ocidental, é ''inimaginável'' que a conferência termina sem pelo menos uma declaração comum sobre o Oriente Médio e a questão do ''passado'' de colonização e escravidão.
Outras fontes evocam um possível abandono dos artigos controvertidos na declaração final que deve ser adotada na conferência. Quase todos os pontos que não levam a conflito foram adotados pelos delegados dos mais de 160 países que se reuniram nas longas sessões de trabalho nesta cidade sul-africana do Oceano Índico.
As questões do Oriente Médio e das indenizações pelo tráfico de escravos bloquearam a Conferência. Os debates intermináveis e negociações entre as delegações presentes em Durban sobre a declaração final sobre o Oriente Médio tomaram conta da conferência desde sua abertura, há oito dias, e continuavam sem solução. Os europeus, árabes e africanos continuam profundamente divididos sobre a questão da escravidão e, ao que parece, pouco antes do encerramento da conferência, as divergências entre os países do Norte e os do Sul aumentaram, tornando-se impossíveis de resolver.
A conferência dava a impressão de caminhar para o fracasso, ainda que continuassem as negociações sobre o problema do ''passado'', ou seja, a condenação da escravidão e o tráfico de escravos, assim como o da colonização, que muitas delegações, principalmente africanas, desejam que sejam condenados como ''crimes contra a humanidade''. Os delegados dos países do Sul continuam exigindo ''desculpas'' dos países do Norte e pedem que a palavra ''reparação'' apareça na declaração final.
Alguns países, principalmente a Síria, exigem que o documento final condene explicitamente Israel.

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