Conferência sobre clima reabre divergência entre países
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quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Agência Estado 
A rivalidade entre ricos e pobres reabriu as negociações sobre o clima na ONU com os países em desenvolvimento em busca de caminhos para fazer os países desenvolvidos a aceitarem a responsabilidade pelo aquecimento global e pagarem por isso.
Nesta quarta-feira (20) houve comoção após o ministro do Meio Ambiente da Polônia, Marcin Korolec, ter sido demitido do cargo pelo governo. Embora ele tenha afirmado que a decisão não afetaria seus deveres como presidente da conferência, os negociadores dos países em desenvolvimento resistiram em participar da reunião no final. "Não estamos vendo um compromisso claro dos países desenvolvidos para atingir um acordo", afirmou a chefe da delegação da Bolívia, Rene Orellana.
Ainda assim, o enviado dos EUA, Todd Stern, minimizou a consternação e disse que os negociadores americanos que compareceram à reunião estavam surpresos com a notícia do abandono das negociações. "Todos saíram juntos no final da reunião", afirmou.
Visões diferentes em discussões fechadas não são incomuns nos lentos movimentos da ONU para conter o aquecimento global, o que ocorre devido à desconfiança existente entre os países ricos e pobres.
A resposta sobre quem é o culpado pelo aquecimento global é central para os países em desenvolvimento. Eles querem receber suporte financeiros dos países ricos para conter o aquecimento global, se adaptarem às mudanças no clima e cobrir os custos de danos inevitáveis causados pelo aumento das temperaturas.
Esses países também argumentam que as nações ricas, historicamente, liberaram grandes quantidades de CO2 e outros gases nocivos, o que significa que eles precisam liderar a atual redução na emissão de gases.
Em Varsóvia, o Brasil propôs inclusive o desenvolvimento de uma forma para calcular a responsabilidade histórica, para guiar as negociações de um novo acordo global sobre o clima em 2015. Eles precisam saber o quanto são responsáveis de fato na mudança do clima", afirmou o negociador brasileiro, Raphael Azevedo.
Os países desenvolvidos bloquearam a proposta dizendo que é preciso também considerar as emissões atuais e futuras quando a responsabilidade for dividida. A China ultrapassou os EUA como o maior poluidor global na década passada, e os países em desenvolvimento como um todo emitem atualmente mais CO2 do que o mundo desenvolvido. O foco apenas nas emissões passadas "nos parece muito parcial e não muito exato", afirmou o enviado dos EUA, no começo desta semana.
A proposta é que o acordo de 2015 estabeleça quais as ações climáticas os países terão de tomar após 2020. A Conferência de Varsóvia deve criar bases para o acordo, embora não tenha ficado claro se os países serão capazes de entrar em acordo sobre pontos básicos, incluindo o momento em que os compromissos devem ser apresentados.


