Conferência Islâmica condena Israel
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domingo, 23 de março de 1997
Jean-Claude Chapon France Presse, de Islamabad 
Saeed Khan/France PresseProcurando a pazArafat falou na abertura do encontro no Paquistão: Jerusalém é a cidade da paz e deve ser mantida como tal A Organização da Conferência Islâmica (OCI), reunida ontem em Islamabad, condenou a política israelense de construir assentamentos em Jerusalém Oriental, a ponto de os representantes da Síria e do Líbano pedirem em seus discursos que se suspenda os contatos com Israel.
O vice-presidente sírio, Abdel Halim Jaddam, e pouco depois o primeiro-ministro libanês Rafiq Hariri pareciam responder a um apelo expressado pouco antes pelo presidente palestino Yasser Arafat, no sentido de salvar a Cidade Santa.
Peço-lhes que empreendam uma ação séria e urgente para salvar Jerusalém, disse o presidente da Autoridade Palestina aos 54 membros da OCI reunidos no palácio de congressos da Capital paquistanesa.
Al Qods al Sharif (Jerusalém) é a cidade da paz e, por pressuposto, a chave da paz justa, duradoura e global que estamos buscando, acrescentou Arafat, que acusou os israelenses de quererem judaizar e isolar a cidade, cuja parte oriental, anexada por Israel em 1967, é reivindicada pelos palestinos como capital de um futuro Estado.
No momento em que Arafat falava, Israel anunciava a suspensão das conversações políticas com os palestinos até que seu líder demontre firme decisão de combater o terrorismo. A suspensão foi desmentida depois.
A reunião de cúpula extraordinária da OCI foi convocada na Capital paquistanesa para celebrar o 50º aniversário da criação do País. No entanto, o clima de tensão no Oriente Médio dominou todas as intervenções dos delegados presentes.
Para o presidente iraniano Alí Akbar Hachemi Rafsanyani, a libertação de Al Qods e a adoção de uma posição comum e coordenada ante a agressão, a intransigência e o descalabro do regime sionista é um dos desafios cruciais que deve enfrentar o mundo muçulmano.
O secretário geral da OCI, o marroquino Ezzedin Laraki, pediu à comunidade internacional que detenha as práticas que pretendem judaizar a cidade e esvaziá-la de seus palestinos.
Logo após o anúncio de suspensão do diálogo com os palestinos, feito em Jerusalém pelo porta-voz David Bar-Illan, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirmou ontem que isso não é verdade. Mesmo porque, segundo Bibi, os responsáveis pelas negociações continuam se encontrado com eles, declarou à rede de televisão norte-americana CNN. Bar-Illan havia anunciado que todas as negociações políticas tinham sido suspensas até que a Autoridade Palestina demonstrasse que está verdadeiramente decidida a lutar contra o terrorismo.
Ponho na mesa a primeira condição para a paz. Quero que (os palestinos) lutem contra o terrorismo como prometeram, prosseguiu Netanyahu, dois dias depois de um atentado praticado por um kamikaze palestino em Tel-Aviv, que causou quatro mortos e 46 feridos.
O primeiro-ministro voltou a acusar a Autoridade de Yasser Arafat de ter autorizado o atentado de Tel-Aviv. Autorizar o terrorismo (...) é o maior perigo para a paz, disse.


