Conferência interafegã tem impasse
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quinta-feira, 29 de novembro de 2001
France Presse<br> De Bonn 
A conferência interafegã de Bonn pode não chegar a um acordo definitivo sobre um governo de transição e restauração da segurança no Afeganistão, declarou ontem o espanhol Francesc Vendrell, adjunto do representante especial da ONU para o Afeganistão. ''Um acordo completo sobre cada um dos pontos (na agenda) pode não ser alcançado aqui nesta reunião'', declarou Vendrell numa coletiva de imprensa. ''Pode ser necessário que nos reunamos outra vez'', reconheceu. ''Não se pode esperar que tudo seja resolvido em três ou cinco dias'', acrescentou o espanhol, que lembrou que o Afeganistão está em guerra há 22 anos.
O adjunto de Lajtar Brahimi, representante especial da ONU para o Afeganistão, referiu-se especificamente às negociações sobre o envio de uma força multinacional ao Afeganistão, uma medida proposta pela ONU, mas rechaçada energicamente pela Aliança do Norte.
''Este problema é muito importante, mas não tivemos tempo de manter conversações intensas sobre este tema com cada uma das delegações'', explicou. ''Honestamente, não temos que esperar uma acordo imediato sobre o assunto'', declarou à imprensa.
A agenda aprovada na terça-feira pelos 28 delegados no início da conferência prevê a formação de um Conselho Supremo interino e de uma administração interina e a convocação de uma ''Loya Jirga'', grande assembléia tradicional, em seis meses.
A assembléia nomearia então um governo de transição, que terá que redigir uma nova Constituição, que será submetida a outra ''Loya Jirga''. O processo vai levar à convocação das eleições democráticas em dois anos e meio, explicou Fawzi.
O tema delicado da manutenção da segurança no Afeganistão também está na agenda, mas a Aliança do Norte reiterou várias vezes que se opõe à presença de uma força internacional no Afeganistão.
As quatro delegações afegãs presentes em Bonn são: Aliança do Norte, que reúne etnias minoritárias e que tomou Cabul no dia 13 de novembro, grupo do ex-rei Zahir Sha, o do Chipre, apoiado pelo Irã, e o de Peshawar, liderado pelo pashtum, Sayed Hamed Gailani.
Posição da AliançaA Aliança do Norte pode aceitar uma força multinacional ''no âmbito de uma solução de paz global'' negociada ulteriormente em Cabul, declarou ontem o líder de sua delegação em Bonn, Yunus Qanooni.


