Conferência discute a Amazônia
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quinta-feira, 23 de novembro de 2000
France Presse De Haia 
A Amazônia, um ecossistema frágil que requer grandes investimentos, mas oferece em troca enormes benefícios ao meio ambiente, está ameaçada pela concepção mercantilista do Norte. A afirmação foi feita ontem pelo presidente do Conselho Nacional do Meio Ambiente peruano, Luis Campos Baca, na 6ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, em Haia.
O Peru é partidário de que a preservação das florestas e o reflorestamente sejam incluídos no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que está sendo negociado nesta conferência.
Entretanto, na sua opinião, para forçar mais os países desenvolvidos a assumir este compromisso, teriam que ser estipuladas penalidades.
A única forma para que estes países possam competir com os industrializados é conservar nossa biodiversidade, afirmou o representante peruano.
Não é industrializá-la massivamente, é saber usar os recursos dando-lhes valor, de forma sustentável, beneficiando as populações e não apenas com um critério econômico, acrescentou.
Outra coisa é oferecer a floresta e baratear o custo da emissão do CO2 facilitando os compromissos assumidos pelos países em desenvolvimento, afirmou.
O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) é um das opções previstas pelo protocolo de Kyoto (1997) para facilitar aos países industrializados a aplicação e financiamento de seus compromissos de redução de emissões de gases do efeito estufa.
O MDL permite a um país de Primeiro Mundo obter cotas de emissões adicionais desde que dê apoio técnico ou financeiro a um projeto de desenvolvimento limpo num país do terceiro mundo.
Árvores e plantas têm a propriedade de absorver dióxido de carbono (CO2) da atmosfera, o que faz com que as florestas seja consideradas sumidouros de carbono.
Na opinião de Campos, as áreas de florestas tropicais exigem grandes investimentos para realmente funcionarem assim, já que este ecossistema é mais frágil.
Diferentes dos bosques boreais, as florestas amazônicas têm solos ácidos, em consequência da grande acumulação de musgos e folhas, que constituem componentes nutritivos e retêm grandes quantidades de carbono.
As ações de gestão florestal podem contribuir para reduzir emissões de gases poluentes para os países em desenvolvimento de forma menos custosa e politicamente mais aceitáveis do que obrigar as indústrias, transportes e cidadãos a reduzir seu consumo de energia.
Entretanto, realizadas sem controle, estas ações do Norte no Sul podem representar um perigo para a biodiversidade da região. Por este motivo, países como o Brasil se opõem à inclusão de sumidouros de carbono no MDL.
Campos considerou que no final, todos os países vão aceitar, até o Brasil, que tem que saber diferenciar os pontos de abertura.


