Kyoto, Japão
O negociador chefe da Conferência Mundial sobre as Mudanças Climáticas, o argentino Raúl Estrada, advertiu para a possibilidade de fracasso da reunião. Raúl Estrada disse aos delegados que está muito preocupado com a possibilidade das negociações desmoronarem. ‘‘Estou muito preocupado, estamos talvez a ponto de fazer ruir a possibilidade de um acordo’’, disse Estrada.
Momentos antes, o delegado chinês havia rejeitado um pedido dos Estados Unidos sobre limites autorizados para a emissão de gases responsáveis pelo efeito estufa.
As discussões já superaram amplamente os prazos e horários fixados para o encerramento do encontro, que deveria ser encerrado à meia-noite de quarta-feira (13 horas de Brasília, ontem).
As discussões prosseguiam em Kioto, persistindo vários pontos importantes sem acordo, assinalou um delegado que pediu anonimato.
Washington exige a inclusão no acordo de uma cláusula que autorize a contaminação. Isto permitiria a países mais poluidores, como os Estados Unidos, a compra de ‘‘permissões para contaminar’’ das nações que poluem abaixo dos limites estabelecidos, como a Rússia.
‘‘Intercâmbios deste tipo não podem significar verdadeiras reduções. Podemos falar de transferências ou transações, mas o que buscamos antes de tudo é a verdadeira redução’’, destacou o delegado.
‘‘Não importa se a redução é forte ou não, mas deve ser autêntica’’, disse por sua parte o delegado chinês, que teve uma posição similar à do representante da Índia.

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