Cone Sul renova classe política
France Presse
De Montevidéu
Argentina, Chile e Uruguai, os três países mais austrais do continente, com um passado semelhante de ditaduras nos anos 70, estão na reta final das campanhas eleitorais. O três países enfrentam situações heterogêneas nos planos político, econômico e social, mas seus cidadãos têm um desafio comum: avançar no desenvolvimento, superar a pobreza, combater o desemprego e garantir suas estruturas democráticas.
A Argentina é, sem dúvida, a nação em que o resultado terá maior impacto, já que as eleições deste domingo colocarão fim a um capítulo de sua história marcada pelos dez anos de governo do peronista Carlos Menem.
Idolatrado pelos que destacam que em seus dois mandatos sucessivos conseguiu um controle notório dos índices macroeconômicos, Menem também é criticado pelos escândalos e casos de corrupção, assim como pelo aumento do desemprego.
Mas um êxito inegável do presidente é sem dúvida o de ser o primeiro que desde o início da era de golpes de estado, em 1930, colocará a faixa presidencial num sucessor eleito legitimamente.
Não obstante, a eventual vitória da Aliança sobre o oficialismo na Argentina não torna possível prever modificações substanciais de imediato, na opinião dos observadores.
No Uruguai, a coalizão de esquerda Encontro Progressista Frente Ampla (EPFA), integrada por comunistas, socialistas, ex-guerrilheiros tupamaros e cidadãos independentes, aparece em primeiro nas persquiasas para o primeiro turno, dia 31 de outubro. Liderada pelo médico socialista Tabaré Vázquez, a coalizão soma 36% de intenções de voto, seguida pelo candidato do oficialista partido Colorado (centro-direita) Jorge Batlle, com 27%, e pelo representante do Partido Nacional (centro-direita), o ex-presidente Luis Lacalle, com 21%.
Também no caso uruguaio, os analistas locais e os organismos financeiros internacionais não esperam bruscas mudanças de rumo na condução política e econômica.
O Chile irá às urnas a 12 de dezembro, para escolher o sucessor de Eduardo Frei. O candidato da oficialista Concertação de Partidos pela Democracia, o socialista Ricardo Lagos, recebe nas últimas pesquisas o apoio de 42% do eleitorado, contra 35% para o economista Joaquín Lavín, apoiado pelos partidos de direita Renovação Nacional e União Democrática Independente. Caso confirmada esta tendência, Lagos seria o primeiro presidente socialista de Chile desde 1973, quando o general Augusto Pinochet derrubou a Salvador Allende.





