Associated Press
De Karachi
O ex-primeiro-ministro do Paquistão Nawaz Sharif recebeu ontem sentença de prisão perpétua por tentar derrubar um avião de passageiros que levava de volta o homem que o tiraria do poder no golpe militar do ano passado. Ele escapou da condenação à morte.
Sharif, julgado por um tribunal especial antiterrorismo criado pelo líder golpista, o general Pervez Musharraf, foi declarado culpado de tentar impedir que um avião comercial, no qual viajava Musharraf, aterrissasse em Karachi no dia 12 de outubro último, ameaçando a vida das 197 pessoas a bordo, entre elas 60 estudantes. O general depôs Sharif no mesmo dia.
Sharif teria ordenado aos controladores aéreos que negassem a autorização de aterrissagem do avião de Musharraf, que só conseguiu pousar em Karachi quando restava combustível apenas para mais sete minutos de vôo.
‘‘Já não há mais justiça no Paquistão’’, disse Sharif após o anúncio do veredicto. ‘‘Agora, meu caso está nas mãos de Deus.’’ A mulher de Sharif, Kulsoom Nawaz, e vários de seus partidários que estavam na corte protestaram contra a sentença.
‘‘Esta é uma vingança pessoal contra meu inocente marido, que não cometeu nenhum crime’’, disse Kulsoom. O ex-primeiro-ministro foi poupado da pena de morte, geralmente imposta em casos de sequestro, pelo juiz Rehmat Hussein, que o sentenciou a duas perpétuas, confiscou suas propriedades e ordenou que ele pague uma multa equivalente a US$ 10 mil.

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