Condenado à morte nos EUA será executado hoje
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 02 de dezembro de 2005
France Presse 
Raleigh (EUA) - Kenneth Boyd, 57 anos, condenado em 1994 pelo assassinato de sua esposa e de seu sogro, deve ser executado na madrugada dessa sexta-feira, tornando-se, assim, o milésimo executado nos Estados Unidos desde o restabelecimento da pena de morte, em 1976.
Um condenado da Virgínia devia ser o milésimo executado na quarta-feira, mas o governador deste Estado, Mark Warner, resolveu transformar sua pena em prisão perpétua.
Detido na prisão central de Raleigh (Carolina do Norte), Kenneth Boyd está desta forma no centro da atenção da imprensa. A foto do prisioneiro 0040519 mostra um homem branco de cabelo grisalho e bigode.
Ele deve ser executado às 2h de sexta-feira (7h GMT) diante de 15 testemunhas, entre eles jornalistas, parentes das vítimas e pessoas escolhidas pelo xerife e pelo promotor. ''Organizamos as execuções às 2h de sexta-feira desde o restabelecimento da pena de morte'', explicou Keith Acree, porta-voz da administração penitenciária de Carolina do Norte.
''Àquela hora, os prisioneiros estão dormindo e a prisão está calma, o que permite um maior controle da situação'', explicou, destacando que o centro de detenção conta atualmente com mais de 900 detentos, sendo 175 condenados à morte.
Alguns estados deixam o condenado escolher seu modo de execução. A Carolina do Norte impõe a injeção letal. A última execução em Raleigh remonta a 15 dias. ''Tivemos três a intervalos muito próximos, o que não costuma acontecer muito por aqui'', frisou Acree.
Dezenas de manifestantes são esperados diante da prisão, como é geralmente o caso quando ocorrem execuções. No entanto, a administração penitenciária está preocupada com a possibilidade de que haja muitos manifestantes, apesar do horário, por causa do número simbólico de mil.
Diversas associações abolicionistas, entre elas Anistia Internacional, previram manifestações em muitas cidades dos Estados Unidos.
Se sua execução não tiver sido suspensa por uma intervenção de última hora da Suprema Corte ou do governador, Kenneth Boyd devia passar seu último dia de vida com seus parentes e amigos.
Se ele assim o desejar, ele pode pedir uma refeição especial para as 17h. ''Eles encomendam e nós saímos para comprar o que for, dentro dos limites do razoável. Obviamente, não vamos até o Maine, no extremo nordeste do país, para comprar lagosta fresca'', explicou Acree.
A partir das 23h, ele fica só, ou com o capelão da prisão, para se preparar para a morte. Apesar do número importante de execuções recentes, a pena de morte tende a diminuir nestes últimos anos nos Estados Unidos.
As estatísticas mostram um declínio de 50% do número de condenações à morte e uma diminuição de 40% do número de execuções desde o fim dos anos 1990. Além disso, a população dos chamados corredores da morte alas dos centros de detenção onde ficam os condenados à morte diminui a cada ano desde 2001.
Um estudo do instituto Gallup publicado no mês passado mostrava que 64% dos americanos seguia favorável à pena de morte, uma percentagem inferior aos 80% registrados em meados dos anos 1990.


