Conclave deve envolver discussões sobre escândalos
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segunda-feira, 04 de março de 2013
Agência Estado 
Cidade do Vaticano - Os cardeais que participam da escolha do novo papa disseram ontem que querem discutir com os administradores do Vaticano as alegações de corrupção e camaradagem nos altos escalões da Igreja Católica. A indicação é uma clara evidência de que o escândalo do vazamento de documentos papais deve fazer parte de uma das eleições mais imprevisíveis dos últimos tempos.
O Vaticano informou que 103 dos 115 cardeais com idade para votar já chegaram ontem à sessão inaugural da reunião pré-conclave, na qual os cardeais vão organizar o processo de eleição, discutir problemas da Igreja e se conhecerem antes de escolherem o novo papa.
Os cardeais que chegaram ao Vaticano fizeram o juramento de sigilo e decidiram enviar uma mensagem ao papa emérito Bento 16, cuja renúncia jogou a Igreja em uma turbulência em meio a um torrente de escândalos dentro e fora do Vaticano.
"Imagino que com o avanço das discussões os cardeais envolvidos na administração da Cúria serão inquiridos a responder o que eles pensam que precisa ser mudado, e nesse contexto qualquer coisa pode surgir", afirmou o cardeal norte-americano Francis George.
As falhas da administração do Vaticano ficaram expostas no ano passado com a publicação de documentos roubados da escrivaninha do papa Bento 16 e que expuseram lutas internas, brigas torpes e alegações de corrupção, nepotismo e camaradagem no alto escalão da Igreja Católica. O mordomo do papa foi condenado por roubar os documentos e entregá-los a um jornalista, mas logo depois recebeu o perdão de Bento 16.
O papa emérito, enquanto isso, permanece na residência de verão em Castel Gandolfo, seu retiro temporário enquanto as discussões para a escolha de seu sucessor avançam em Roma.
A data do conclave ainda não foi decidida e pode não ser decidida oficialmente nos próximos dias, e segundo o diácono do Colégio dos Cardeais, não haverá data enquanto todos os cardeais não tiverem chegado ao Vaticano.
Ainda faltam chegar a Roma 12 cardeais, alguns deles tinham compromissos previamente agendados e outros ainda podem chegar nos próximos dias, informou o Vaticano. A ausência destes, entretanto, não deve atrasar as preparações para o conclave.
Crescem as especulações de que o conclave pode acontecer em torno de 11 de março, com o objetivo de já haver um novo papa no dia 17, antes da Páscoa e do começo da Semana Santa.
Com 115 eleitores, são necessários 77 votos para atingir a maioria de dois terços para eleger o papa. O principal item da agenda é a data do conclave e os procedimentos para sua preparação incluem o fechamento da Capela Sistina aos visitantes, a limpeza do hotel do Vaticano de qualquer tipo de instrumento eletrônico de monitoração, para evitar que as conversas secretas dos papas possam ser ouvidas.
O primeiro dia de discussões foi atingido por novo escândalo, após o cardeal escocês, Keith O'Brien, ter admitido ter "mantido conduta sexual abaixo do padrão esperado dele como padre, arcebispo e cardeal."
Na semana passada, O'Brien renunciou como arcebispo de St. Andrews e Edimburgo e disse que não poderia participar do conclave após quatro homens terem alegado que ele teria praticado atos inapropriados com eles. Essa será a primeira vez que um cardeal fica fora do conclave por causa de um escândalo pessoal.
Ontem, o Vaticano se recusou a confirmar se está investigando a conduta de O'Brien, ainda que o escritório de imprensa da Igreja na Escócia tenha dito que as acusações foram enviadas ao Vaticano e que ele espera que Roma possa assumir o caso. O porta-voz do Vaticano, padre Thomas Rosica, apenas leu o comunicado de O'Brien admitindo conduta sexual errada e disse que o Vaticano não diria mais nada.


