France PresseEM FILASoldados russos aguardam a vez de votar na estação de VladivostokAssociated Press
De Moscou
Os russos foram às urnas ontem para eleger os 450 membros da Câmara Baixa do Parlamento (Duma) num momento em que as questões centrais no país são a guerra na república separatista da Chechênia e a sucessão do presidente Boris Yeltsin, a ser definida no pleito de junho de 2000.
A previsão dos institutos de pesquisa é que o Partido Comunista (PC) continuará sendo a principal bancada na Duma. As sondagens de opinião mostram que o PC deve assegurar ao partido entre 20% e 25% dos assentos. Grupos políticos de centro também devem sair-se bem e, em conjunto, podem obter mais cadeiras do que os comunistas e seus aliados de linha-dura.
Concorreram 2.318 candidatos de 26 partidos e blocos. Metade das 450 cadeiras será preenchida por listas de partidos, mas, para conquistar representação na Câmara Baixa, os grupos políticos precisam obter pelo menos 5% dos votos. As outras 250 cadeiras serão distribuídas proporcionalmente entre os distritos eleitorais em que se divide o país.
O presidente Yeltsin tem-se mantido em conflito constante com a Duma, dominada pela oposição nacionalista e de esquerda. Um bom desempenho das correntes centristas pode resultar num Legislativo mais propenso a apoiar os projetos do governo.
‘‘A Duma deveria votar leis e não se envolver em atividades políticas. Essa é a Duma de que precisamos e que eu acho que teremos’’, afirmou Yeltsin ao depositar seu voto logo cedo numa seção eleitoral em Moscou.
O maior rival do PC é o bloco Unidade, criado há cerca de três meses, com o apoio do Kremlin, para tirar votos da coalizão Mãe Pátria-Toda Rússia (do ex-primeiro-ministro Yevgueni Primakov e do prefeito de Moscou, Yuri Luijok, reeleito com 70% dos votos), que vinha crescendo rapidamente nas pesquisas.
O Unidade, liderado pelo ministro das Situações Emergenciais, Serguei Shoigu, deve ser o segundo mais votado, relegando o Mãe Pátria-Toda Rússia, para a terceira posição, segundo avaliam analistas políticos com base nas sondagens de intenção de voto.
O apoio do primeiro-ministro Vladimir Putin ao Unidade foi decisivo para seu salto em poucas semanas, já que o chefe de governo se tornou muito popular com a ofensiva militar na Chechênia e é o mais cotado para vencer as eleições presidenciais de junho.
Apesar da ampla gama de problemas que afetam os russos, o debate sobre as políticas para o país praticamente inexistiu. A campanha eleitoral foi marcada pela troca de insultos e ataques de cunho pessoal.
Para os eleitores, contudo, a maior preocupação é a queda de seu padrão de vida após o colapso da União Soviética, em 1991. A Rússia atravessa uma profunda recessão, levemente atenuada este ano por causa do aumento dos preços do petróleo no mercado internacional o produto é um dos principais na pauta de exportações do país.
A população em geral está desiludida com as reformas econômicas e tem um péssimo conceito dos políticos, agravado pelos golpes sujos da campanha eleitoral.
Não houve o pleito na República da Chechênia, mas os refugiados chechenos alojados em territórios vizinhos puderam votar.

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