Comunistas chilenos não apóiam socialista
Associated Press
De Santiago
Os comunistas chilenos se negaram a apoiar o socialista Ricardo Lagos, candidato governista, num momento em que crescem as possibilidades de que a eleição presidencial de domingo não seja resolvida no primeiro turno.
Nossos votos não irão para nenhuma candidatura do neoliberalismo e da impunidade, afirmou a secretária-geral comunista, Glady Marín, ao término de sua campanha como candidata presidencial.
Diante de 5 mil partidários, que compareceram ao seu último discurso eleitoral num parque de Santiago, Marín rechaçou desta forma a possibilidade de apoiar Lagos em um eventual segundo turno caso nenhum candidato vença com maioria absoluta dos votos no domingo. A votação comunista, estimada entre 3 e 5 pontos percentuais, poderia resultar decisiva em caso de segundo turno.
Diversas pesquisas confirmam a possibilidade de um segundo turno eleitoral, que seria realizado em 16 de janeiro. O próprio Lagos, pela primeira vez, admitiu, em declarações publicadas ontem pelo jornal La Nación, que ainda lhe faltam alguns pontos percentuais para garantir a vitória no domingo.
Lagos encerrará sua campanha na quinta-feira com um ato na Avenida Bernando OHiggins, no centro da capital, que servirá para medir forças com seu principal rival, o direitista Joaquín Lavín, que hoje realizará um comício no mesmo local.
O grande ausenteA seis dias das eleições presidenciais no Chile, o ex-ditador Augusto Pinochet aparece como o grande ausente da campanha dos candidatos. O general Pinochet se propôs a erradicar o câncer marxista quando tomou o poder em 11 de setembro de 1973, num golpe que culminou com o suicídio do presidente socialista Salvador Allende.
Vinte e seis anos depois, o ex-ditador, que governou o Chile até março de 1990, não poderá votar no próximo domingo, para evitar que outro socialista, o economista Ricardo Lagos, chegue à presidência.





