O ex-líder comunista Massimo D’Alema recebeu ontem sinal verde do presidente Oscar Luigi Scalfaro para formar o 56º governo italiano de pós-guerra e o primeiro chefiado por um primeiro-ministro forjado no antigo Partido Comunista Italiano.
D’Alema apresentou ao presidente os termos do acordo obtido entre a coalizão de centro-esquerda Oliveira - da qual é líder - e dois pequenos partidos, os Comunistas Italianos e a União Democrática para a República (UDR), que lhe dará a maioria parlamentar necessária para governar.
A frente Oliveira, os Comunistas Italianos, do comunista moderado Armando Cossuta, e a UDR, do ex-presidente democrata-cristão Francesco Cossiga, aceitaram o programa de governo elaborado por D’Alema.
Ele pretende divulgar ainda esta semana a composição do gabinete que incluirá comunistas e conservadores. Desconhece-se se D’Alema, presidente dos Democratas de Esquerda (ex-PCI), aceitou as exigências dos novos sócios. Cossuta, dissidente da Refundação Comunista, de Fausto Bertinotti, condicionava seu apoio à coalizão Oliveira à adoção da jornada de trabalho de 35 horas semanais e participação no ministério. Cossiga, por sua vez, pedia para seu grupo as pastas do Interior e da Defesa.
Pelo menos um nome é certo no futuro gabinete: o de Carlo Azeglio Ciampi. Considerado em toda a Europa responsável pela sólida política financeira italiana, ele continuará à frente do Ministério da Fazenda.
O acordo obtido por D’Alema foi classificado de ‘‘ação subversiva’’ por Sílvio Berlusconi, líder da oposição conservadora, que prometeu ‘‘combate sem trégua no plenário’’. Berlusconi exige a convocação de eleições gerais antecipadas e marcou para sábado, em Roma, ‘‘uma histórica manifestação de protesto’’.
Scalfaro recebe hoje o papa João Paulo II, que vê com muita apreensão um governo chefiado por um ex-comunista.
‘‘Não sou nenhum marciamo, apenas o chefe da coalizão que venceu as eleições de abril de l996’’, defendeu-se D’Alema.
Oposição O líder da oposição italiana, Silvio Berlusconi, disposto a se opor fortemente ao novo governo do ex-comunista Massimo D’Alema, convocou para o próximo sábado em Roma uma manifestação para a qual conta com a adesão de milhares de ‘‘defensores da democracia’’, segundo suas palavras. Depois de uma reunião com o premier designado, Berlusconi afirmou que a maioria do governo fora obtida de ‘‘forma ilegítima e subversiva’’. D’Alema, presidente do partido Democráticos de Esquerda, não se mostrou intimado com as acusações.

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