São Paulo - Um dia após o procurador-chefe do TPI (Tribunal Penal Internacional), Luis Moreno Ocampo, ter pedido a prisão do presidente sudanês, Omar al Bashir, por genocídio e crimes de guerra, a comunidade internacional reagiu ao pedido.
Ocampo pediu anteontem aos juízes do TPI para emitirem uma ordem de prisão contra Al Bashir por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos em Darfur, onde estima-se que cerca de 300 mil pessoas tenham morrido desde 2003.
A Liga Árabe criticou a ordem de prisão contra o presidente do Sudão e a qualificou como ''uma ameaça à segurança e à estabilidade'' do país. ''A acusação equivale a uma ameaça direta à segurança e à estabilidade deste Estado-membro da Liga Árabe'', disse à imprensa o enviado da liga ao Sudão, Salah Halima, advertindo ainda que o pedido ''põe em risco seriamente as possibilidades de alcançar a paz no Sudão''.
Os ministros das Relações Exteriores árabes foram convocados no próximo sábado, no Cairo, para analisar o assunto e definir uma resposta unificada.
O CCG (Conselho de Cooperação do golfo Pérsico) também criticou o pedido de prisão por genocídio do presidente sudanês. A medida, segundo a instituição, ''não ajuda na conquista da paz'' na conflituosa região de Darfur.
''Este pedido é uma intervenção nos assuntos internos do Sudão, e não ajuda nos esforços para restabelecer a paz em Darfur e em outras regiões desse país'', disse o secretário-geral do CCG, Abdel-Rahman al Attiyah, citado ontem pela imprensa árabe.
Attiyah pediu ao TPI que ''não adote nenhuma decisão que apóie a solicitação do procurador-chefe'' dessa corte. Os países do CCG -Arábia Saudita, Kuwait, Catar, Barein, Omã e os Emirados Árabes Unidos- ''respeitam a legalidade internacional, e respaldam todos os esforços destinados à conquista da estabilidade, a unidade e a soberania do Sudão'', concluiu Attiyah.
Pequim
O governo chinês disse que está muito preocupado com o pedido de prisão contra Al Bashir. ''A China expressa sua grande preocupação e reservas em relação aos procuradores do TPI'', afirmou o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês, Liu Jianchao.
O Irã viu como ''desagradável'' a decisão do TPI de acusar o presidente do Sudão de genocídio em Darfur, informou a imprensa iraniana nesta terça-feira.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Manouchehr Mottaki, disse que o Irã sempre apoiou o ''legítimo'' governo do Sudão liderado por Al Bashir. ''A aproximação seletiva do Tribunal Internacional de Haia ao presidente sudanês é desagradável'', disse a imprensa iraniana, citando o ministro.
A União Européia encorajou ontem o Sudão a entregar ao TPI o ex-ministro do Interior Ahmed Haroun e o líder da milícia janjaweed, Ali Kushayb, suspeitos por crimes de guerra. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da França, Eric Chevallier, disse que o gesto ''constituiria em um elemento de apreciação positiva'' do Sudão pela comunidade internacional.

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