O futuro do Mercosul preocupa a comunidade internacional. Desde que as informações sobre a crise na Argentina chegaram aos negociadores da União Européia (UE) e à Organização Mundial do Comércio (OMC), a pergunta que todos se faziam era uma só: o Mercosul continuará atuando como bloco nos fóruns internacionais ou será mais um projeto de integração na América Latina que, apesar do sucesso na década de 90, não sobreviverá às instabilidades econômicas da região?

Para diplomatas da UE em Bruxelas, um dos primeiros efeitos da crise argentina deverá ser o atraso nas negociações para a formação de uma área de livre comércio entre o bloco europeu e o Mercosul, prevista para estar concluída até 2005. O motivo é a falta de coordenação entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai para prepararem propostas conjuntas de liberalização comercial de seus mercados aos produtos europeus.

No próximo mês de maio, a UE realiza a segunda reunião de cúpula entre os países europeus e os governos latino-americanos, em Madri. ''A UE gostaria de aproveitar a oportunidade da reunião para dar um impulso às negociações comerciais com o Mercosul. Mas diante do cenário atual, será difícil ver resultados concretos'', afirmou um negociador de Bruxelas ao Estado.

Mesmo assim, ele garante que a UE continuará apoiando o bloco. O interesse europeu pela sobrevivência do Mercosul tem uma razão estratégia. Bruxelas acredita que a existência de um bloco nas Américas que não conte com os Estados Unidos é um elemento importante na arquitetura mundial do comércio.

''Um Mercosul forte evitaria que o poder de Washington fosse ainda maior'', afirma o negociador. Ele revela que o objetivo dos europeus é o de não deixar que os Estados Unidos acabem ganhando todo o mercado latino-americano, como já ocorreu com a criação do Nafta (Área de Livre Comércio da América do Norte, formada pelos norte-americanos, México e Canadá).

De fato, um dos temores de especialistas e diplomatas europeus é de que, sem um Mercosul forte, a negociação para a criação da Área de Livre Comério das Américas (Alca) esteja prejudicada. ''Com o enfraquecimento do Mercosul, seria ainda mais difícil fazer frente às propostas dos Estados Unidos nas negociações'', afirma um consultor de comércio exterior da OMC.

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