Bruxelas - A comunidade internacional tanto os que se opuseram quanto os que defenderam a invasão do Iraque mostrou-se unida ontem para apoiar o governo iraquiano em sua tarefa de reconstrução de um país em ruínas e vítima da violência, numa conferência organizada em Bruxelas pela União Européia e pelos Estados Unidos.
No entanto, os representantes de mais de 80 países e organizações não chegaram a compromissos precisos e, numa declaração final, se limitaram a manifestar seu apoio a um ''Iraque democrático, plural, federalista e unificado''. ''Acredito que este é um momento crucial na transição do Iraque'', afirmou o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, durante a sessão de encerramento da conferência, assegurando que a ONU estava ''determinada a atender às expectativas do povo iraquiano''.
Annan disse esperar que ''o consenso forjado aqui'' seja reproduzido no seio do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que esteve profundamente dividido durante a guerra do Iraque, em 2003, quando se recusou a aprovar a intervenção americana e britânica naquele país.
Dois anos depois da invasão que derrubou Saddam Hussein, acusado de esconder armas de destruição em massa, representantes dos Estados Unidos e do Reino Unido se reuniram com representantes da França, da Alemanha e de outros países que se opuseram ao conflito. ''Concordamos em trabalhar juntos para construir uma renovada associação internacional com o Iraque'', afirmou a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice.
No entanto, os Estados Unidos, principais atores no território iraquiano, recordaram que ''o Iraque tem suas próprias obrigações'', como afirmou Rice. ''Para maximizar os benefícios da ajuda, o novo governo iraquiano deve continuar melhorando a segurança, liberalizando a economia e abrindo o espaço político a todos os membros da sociedade iraquiana que rechaçam a violência'', explicou.
Por sua vez, o primeiro-ministro iraquiano, Ibrahim al Jaafari, afirmou que seu governo ''deseja um Iraque estável que respeite os direitos humanos'', reiterando que pretende cumprir o calendário político que prevê a adoção de uma nova Constituição até outubro e eleições gerais no final de dezembro.
Al Jaafari afirmou que a presença de 176 mil soldados estrangeiros em território iraquiano deve ser ''provisória'' e que o Iraque tem que ''assumir essas tarefas''. ''Desejamos que a presença das forças multinacionais no Iraque seja provisória e que nossas próprias forças assumam essas tarefas.
Em resposta a esta preocupação, a declaração final mencionou expressamente a necessidade de uma melhor coordenação regional para controlar as fronteiras do Iraque. ''A Síria tem uma responsabilidade'' com seus vizinhos e a comunidade internacional e ''não deve permitir que este território seja usado para encontros de pessoas que provocam o caos e causam problemas a iraquianos inocentes'', advertiu Rice nesse sentido.
Os Estados Unidos acusam sistematicamente a Síria de facilitar a entrada no Iraque de combatentes estrangeiros. O ministro sírio das Relações Exteriores, Faruk al-Chareh, também presente em Bruxelas, afirmou que seu país estava ''pronto para cooperar com o governo iraquiano para reforçar a segurança da fronteira comum''.

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