Pequim - A comunidade internacional, começando pelo presidente Donald Trump, que denunciou ações "muito hostis e perigosas para os Estados Unidos", condenou neste domingo (3) o novo teste nuclear da Coreia do Norte. Aliado fundamental de Pyongyang, a China também expressou forte condenação, enquanto o presidente sul-coreano, Moon Jae-In, pediu "o castigo mais forte", com novas sanções da ONU (Organização das Nações Unidas), visando "isolar completamente a Coreia do Norte".

O Conselho de Segurança da ONU vai realizar uma reunião de emergência nesta segunda-feira (4) para discutir uma resposta internacional ao teste nuclear da Coreia do Norte. O secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, condenou o teste, que qualificou como um evento "profundamente desestabilizador".

A tensão na península da Coreia subiu muito nas últimas semanas, com o teste da Coreia do Norte de um míssil balístico intercontinental e ameaças de lançar mísseis sobre a ilha de Guam, no Pacífico, às quais Trump respondeu prometendo "fogo e fúria". "As palavras e as ações [da Coreia do Norte] continuam a ser muito hostis e perigosas para os Estados Unidos", escreveu Trump no Twitter.

Mais tarde, ele afirmou na rede social que estuda a possibilidade de encerrar "todo o comércio" com os países que tiverem negócios com Pyongyang. Essa medida poderia ter forte impacto na China, o principal apoio econômico da Coreia do Norte, que é vista como o único país a ter verdadeira influência sobre o vizinho.

O secretário de Defesa americano, Jim Mattis, prometeu uma "resposta militar maciça" a qualquer ameaça da Coreia do Norte aos Estados Unidos, Guam ou seus aliados.

MEIOS DIPLOMÁTICOS
Pequim, que está recebendo uma reunião das cinco nações integrantes dos Brics, também "condenou fortemente" o teste, que pôde ser sentido em várias cidades chinesas a centenas de quilômetros da fronteira com a Coreia do Norte. Mas o presidente Xi Jinping não falou sobre o assunto na abertura da cúpula dos Brics em Xiamen, com Brasil, Rússia, Índia e China.

O presidente russo, Vladimir Putin, disse que a alegação de Pyongyang de uma bomba de hidrogênio bem sucedida era uma ameaça à paz regional, enquanto pediu à comunidade internacional que responda "de forma calma e equilibrada".

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, afirmou que um novo teste nuclear era "absolutamente inaceitável". "Nossa capacidade de parar as ações irresponsáveis da Coreia do Norte que ameaçam a paz mundial depende da cooperação e solidariedade da comunidade internacional", acrescentou.

O presidente francês, Emmanuel Macron, também pediu à comunidade internacional que "reaja com a maior firmeza" e afirmou que o teste nuclear "viola a paz e a segurança". Macron e a chanceler alemã, Angela Merkel, são favoráveis ao "fortalecimento" das sanções da União Europeia (UE) contra Pyongyang que, segundo o governo alemão, entrou em uma "nova dimensão" nas suas provocações.

PERFEITO SUCESSO
A Coreia do Norte comemorou o teste. Em um primeiro momento, as agências geológicas estrangeiras detectaram um terremoto de 6,3 de magnitude perto do principal local de testes nucleares do país, em Punggye-Ri. Logo em seguida, Tóquio confirmou se tratar de um teste nuclear. E algumas horas depois, uma apresentadora da televisão pública norte-coreana anunciou, em um tom de júbilo, "o teste de uma bomba de hidrogênio" que foi "um perfeito sucesso". A bomba, "de poder sem precedentes", marca "uma ocasião muito importante, a de termos alcançado o objetivo final de fortalecer a força nuclear do Estado", acrescentou. Foi o sexto teste nuclear da Coreia do Norte.

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