Complica-se a situação política de Netanyahu
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de novembro de 1998
France Presse 
Depois de dois anos de hesitações, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, colocou seu futuro político em jogo ao ordenar, ontem, a evacuação de uma parte dos territórios ocupados por Israel. O cumprimento por parte de Netanyahu do acordo de Wye Plantation, ainda que de má vontade, de forma hesitante e reticente, poderá criar atritos com a coalizão nacionalista-religiosa na qual o primeiro-ministro se apóia desde sua eleição em 1996. Segundo os observadores políticos israelenses, Netanyahu quer dedicar-se, nos próximos dias, a reformar as fileiras de sua coalizão.
Mas, ao mesmo tempo, está estudando duas opções alternativas: uma união nacional com os trabalhistas ou a convocação de eleições antecipadas. Dentro de seu próprio governo, Netanyahu só conseguiu reunir uma maioria relativa de ministros - sete, incluindo ele mesmo, de dezessete - para aprovar a retirada de ontem, que não corresponde a mais 2%. Por menor que seja, esta retirada contradiz totalmente a ideologia da Grande Israel, que anima a extrema-direita e os colonos. Apesar de o próprio Netanyahu compartilhar desta ideologia, ao mesmo tempo precisa considerar as realidades de terreno, as pressões dos Estados Unidos e suas relações com os países árabes.
Até agora, Netanyahu contava com as hesitações da extrema-direita, à qual tentava explicar que seria contraproducente deixar o poder cair nas mãos dos trabalhistas, que devolveriam ainda mais territórios aos palestinos. Mas este argumento poderá não funcionar mais agora.


