Complica-se a resolução da crise EUA-China
A intervenção pública dos militares chineses na crise com os Estados Unidos, provocada pela colisão em vôo de um avião de espionagem da Marinha americana com um caça chinês, e a insistência de Pequim num pedido formal de desculpas de Washington complicaram no fim de semana a negociação para o retorno dos 21 homens e três mulheres da tripulação do EP-3E americano, detidos há oito dias numa base militar na ilha de Hainan, onde fizeram um pouso de emergência depois do acidente.
O vice-presidente Dick Cheney reiterou ontem que os EUA não pedirão desculpas. O secretário de Estado, Colin Powell, explicou que seu governo está seguro sobre os fatos da colisão e não dispõe de nenhum indício de que o nosso avião fez algo de impróprio para provocar o acidente.
Powell disse que as negociações para o retorno dos tripulantes prosseguem, mas advertiu que as relações entre os dois países estão sendo prejudicadas e que os chineses estão aumentando o preço que, no final, pagarão por prolongarem a crise. O secretário de Estado disse que o recesso de duas semanas que o Congresso inicia hoje é a última janela de oportunidade para que os dois países resolvam o impasse, sugerindo que a intervenção dos parlamentares americanos na crise somente agravará os danos que ela já começou a provocar nas relações bilaterais.
Em declarações ao jornal do Exército, reproduzidas na primeira páginas de outros diários importante da China, o ministro da Defesa, Chi Haotian, disse que a colisão foi inteiramente causada pelo lado americano e que não permitirá que nos joguem a culpa. Hao mais uma vez denunciou o hegemonismo americano e pediu que os EUA cessem os vôos de aviões de espionagem eletrônica em espaço aéreo internacional ao longo da costa chinesa.
Em Washington, a pressão para que o presidente Bush endureça também está crescendo. No sábado, o deputado Henry Hyde, nome influente na bancada republicana, disse que considera os 24 tripulantes reféns.
Cheney disse ontem que não concorda com essa caracterização dos militares detidos em Hainan, porque eles estão sendo bem tratados e estamos tendo acesso a eles. Mas o senador democrata Christopher Dodd disse que ele também passará a considerá-los como reféns em três ou quatro dias, se não forem autorizados a retornar.
Paralelamente, o semanário conservador Weekly Standard desta segunda-feira, afirma em seu editorial principal que o episódio já é uma humilhação para os EUA.





