Compagas deve ajustar fornecimento no PR
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quinta-feira, 09 de junho de 2005
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Companhia Paranaense de Gás (Compagas) entrou em acordo com a Petrobras para ajustar o abastecimento de gás natural, que vêm da Bolívia. A crise deflagrada naquele país coloca em risco o fornecimento de gás no Brasil e se houver interrupção a região mais afetada será o Sul do País, que não tem estrutura para receber o gás natural produzido na bacia de Campos (RJ).
Ontem pela manhã, a Compagas entrou em contato com os clientes para detalhar as etapas de redução do consumo de gás, antes de ser adotado qualquer plano de contigenciamento do Ministério das Minas e Energia, discutido no final da tarde. A Petrobras, responsável pela operação do gasoduto Brasil-Bolívia, decidiu que se houver redução no fornecimento de gás natural da Bolívia, o volume disponível será todo enviado para a Região Sul. Os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro deverão consumir o gás da bacia de Campos.
Numa segunda etapa, a Petrobras concordou em reduzir o consumo de gás na termelétrica que mantém na Refinaria Getúlio Vargas (Repar), em Araucária. A termelétrica consome 540 mil metros cúbicos por dia do combustível. Esse volume corresponde a 43% do consumo de gás no Paraná, que soma 1,24 milhão de metros cúbicos por dia. As indústrias, comércio, residências e veículos atendidos pela Compagas consomem 700 mil metros cúbicos por dia, sendo que 80% desse volume é destinado às indústrias. Outros 10% vai para o abastecimento de veículos e o restante se divide entre estabelecimentos comerciais e residenciais.
O setor mais apreensivo é das indústrias de louças e cerâmicas de Campo Largo, que consomem 75% do gás, com um consumo de 200 mil metros cúbicos por dia. Segundo o presidente do Sindicato das Louças e Cerâmicas (Sindilouças), José Canisso, as indústrias não podem desligar seus fornos (funcionam 24 horas por dia), sob pena deles se desintegrarem, o que ameaça toda a produção.
Canisso reclamou da falta de uma estratégia de crise e de um plano emergencial para substituir o gás importado. O empresário avisou que se houver interrupção na produção, ''alguém terá que pagar a conta dos prejuízos''. As indústrias de louças fabricam 22 milhões de peças por mês e elas temem perder mercado se o abastecimento às lojas tiver que ser suspenso.
Canisso sugeriu o desligamento total das termelétricas de Araucária e de Canoas (RS), que funcionam com o gás boliviano. E também o corte no fornecimento de gás veicular.


