Comoção popular marca enterro de Arafat
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sábado, 13 de novembro de 2004
Beatriz Lecumberri<br>France Presse 
Ramallah - O adeus do povo palestino ao seu líder Yasser Arafat, que morreu na quinta-feira com 75 anos em um hospital militar próximo a Paris, foi mais rápido do que o esperado. Não houve condições de velar o corpo por duas horas na tarde de ontem em Ramallah, como o previsto inicialmente.
O presidente da Autoridade Palestina foi enterrado às pressas na Muqata, seu quartel-general, devido ao tumulto na chegada do helicóptero egípcio que trazia o caixão, depois de um rápido funeral no Cairo, ao qual compareceram várias autoridades internacionais, além da esposa, Suha, e da filha Zahwa, 9 anos.
Abu Ammar, Abu Ammar!, gritava a multidão, proclamando o nome de guerra de seu amado dirigente. De nada serviram os tiros para o ar ou as intervenções de vários membros do governo: caixão com o corpo de Yasser Arafat foi levado de ombro em ombro, numa passagem lenta, até sua sepultura, em imagens que serão recordadas por muito tempo.
O primeiro-ministro palestino Ahmed Qurei e o líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Mahmud Abas, ou Abu Mazen presidiram uma breve oração ante o corpo do dirigente, pronunciada pelo xeque Tayssir Al Tamimi, que visitou Arafat em seu leito de morte, em Paris. Vivemos um período difícil, mas é essencial que o povo siga o caminho traçado por Arafat, declarou Nabil Abu Rudeina, que foi durante anos porta-voz do dirigente.
Tiros de kalashnikov misturados com choro e orações marcaram o momento principal do sepultamento. Imediatamente após isso, a multidão entoou uma oração, acompanhada pelos dirigentes palestinos.
A Polícia palestina perdeu o controle sobre os milhares de palestinos reunidos em volta da Muqata, que conseguiram entrar à força no complexo para assistir ao enterro do líder palestino e cercaram o helicóptero, dificultando a saída das autoridades palestinas e egípcias e da mulher de Arafat, Suha.
Cinco palestinos foram feridos por balas disparadas ao ar pelas forças de segurança palestinas para tentar afastar a multidão, que a despeito de tudo só se aproximava do helicóptero. Membros das Brigadas dos Mártires Al Aqsa, principal grupo armado do Fatah, haviam entrado no complexo da Muqata meia hora antes da chegada do aparelho e se posicionaram no meio da multidão até ficarem à frente dela, junto com autoridades locais.
Os serviços médicos atenderam pelo menos 200 pessoas desmaiadas e pisoteadas. Até bebês eram vistos em meio à massa humana. Centenas de pessoas subiram nos muros da Muqata, agarrando-se à cerca e segurando retratos falecido e bandeiras negras e estandartes do Fatah, movimento político fundado por Arafat. As árvores também estavam carregadas de pessoas.
Dentro da Muqata, dezenas de operários trabalharam sem parar para limpar e preparar o local. As forças de segurança palestinas, mobilizadas dentro e fora do quartel-general, tentaram impedir que os cidadãos pulassem o muro de três metros que protege o complexo. Apesar de toda cautela, uma estrutura de madeira desabou no local, ferindo várias pessoas.
Israel fechou a Cisjordânia e mandou reforços para evitar qualquer excesso, principalmente na região de Ramallah, ainda que tenha anunciado seu desejo de manter discrição sobre sua presença.
A Polícia israelense reforçou seu dispositivo em Jerusalém e restringiu o acesso à Esplanada das Mesquitas aos fiéis com mais de 45 anos e portadores de um documento de identidade israelense expedido aos palestinos da parte oriental da cidade.


