O corpo do ex-presidente argentino Raúl Alfonsín, 82, foi enterrado no final da tarde de ontem no cemitério da Recoleta, em Buenos Aires. O clima de grande comoção levou mais de 70 mil pessoas ao velório do ex-líder, em um movimento inédito desde a morte do general Juan Domingo Perón, em 1974.
Símbolo da democracia argentina, Alfonsín, que governou entre 1983 e 1989, foi o primeiro mandatário eleito depois da última ditadura militar argentina (1976-1983).
Desde quarta-feira (1º), mais de 70 mil pessoas compareceram ao velório de Alfonsín. Ontem, feriado nacional em comemoração à ocupação, por parte daquele país, das ilhas Malvinas, em 1982, dezenas de milhares acompanharam, nas ruas, sob chuva, discursos de autoridades no Congresso -onde houve o velório-; uma missa; um cortejo fúnebre, entre o Congresso e o cemitério; e o sepultamento.
Entre as autoridades que discursaram no Congresso, o presidente do Senado José Sarney, que foi presidente da República (1985-1990). Sarney afirmou que Alfonsín foi ''um dos homens públicos mais importantes das Américas''. ''Vim expressar o sentimento de grande admiração do povo brasileiro. Trago o reconhecimento e a amizade do Brasil'', disse.
Sarney e Alfonsín governaram a maior parte de seus mandatos ao mesmo tempo, em um período de redemocratização para ambos os países, e deram os primeiros passos para a integração regional com a assinatura da Declaração do Iguaçu, em 1985, embrião do que viria a ser, nos anos 90, o Mercosul.

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