Comoção durante sepultamento do vice-presidente
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 24 de março de 1999
France Presse 
O vice-presidente do Paraguai, Luis María Argaña, assassinado terça-feira em Assunção, foi enterrado ontem em meio a uma crise política e social sem precedentes, marcada pelo grande racha no Partido Colorado, no poder. O corpo de Argaña foi velado primeiro em casa e depois no Congresso, para finalmente ser levado à sede da Associação Nacional Republicana (Partido Colorado), em meio a uma multidão que acompanhava o cortejo. A maioria dessas pessoas enfrentou o forte calor e usou braçadeiras e bótons no peito com os dizeres Argaña não morre e vivas ao Partido Colorado. O povo encheu o cemitério de la Recoleta. Devido ao fechamento das fronteiras, decidida pela Justiça paraguaia, para facilitar a busca dos assassinos, cerca de 500 brasileiros ainda estão bloqueados em Ciudad del Este.
O ministro do Interior, Carlos Cubas, irmão do presidente Raul Cubas, explicou que tentará convencer o judiciário a permitir a reabertura parcial da fronteira, pelo menos para os casos de emergência. À noite, o parlamentar norte-americano, Paul Coverdell, estimou que os Estados Unidos devem condicionar a normalidade de suas relações com o governo do presidente paraguaio Raul Cubas a uma investigação eficaz sobre o assassinato de Argaña.
Em carta enviada ao presidente Bill Clinton, o representante republicano pela Georgia advertiu sobre a gravidade da crise política no Paraguai exacerbada pelo assassinato. Já o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, exortou ontem os paraguaios a pôr de lado as divergências políticas e a se manterem unidos para preservar a democracia.


