As conversações sobre o futuro do Afeganistão, em Bonn, estão terminando e as delegações já estão elaborando a minuta do documento final, informou ontem o porta-voz do chamado Grupo de Chipre, Mohamed Jalim Shams. Um comitê formado por oito membros dois de cada um dos quatro grupos negociadores está encarregado de redigir a minuta, e embora ainda existam diferenças sobre alguns detalhes, todos os delegados trabalham com seriedade e vigor, disse Shams, professor exilado na Suíça. O grupo de Chipre representa os afegãos no exílio e está presente nas conversações com três delegados. Segundo Shams, os aspectos que ainda geram divergências referem-se à composição exata da administração e do conselho nacional uma espécie de parlamento interinos.
Estes órgãos, executivo e legislativo, são os que deverão tomar as rédeas do país até março, para quando está prevista a convocação da Loya Jirga a grande assembléia tribal que deverá decidir sobre o governo e o parlamento de transição até a convocação de eleições livres, dentro de dois anos.
Também ainda está em debate o problema de segurança da capital, Cabul, que será a sede da nova administração governamental.
''Temos a sensação de que as diferenças também poderão ser superadas neste ponto'', disse Shams durante um intervalo das conversações.
Abandono Haji Abdul Qadir, personalidade-chave da etnia pashtum, abandonou quinta-feira a conferência de Bonn sobre o Afeganistão, devido a desacordos dentro da delegação da Aliança do Norte, à qual pertencia, informaram fontes oficiais ontem.
Qadir, governador da província de Nangahar (Leste do Afeganistão), ''partiu quinta-feira'', disse Ahmad Fawzi, porta-voz do representante especial da ONU para o Afeganistão, Lajdar Brahimi.
Segundo uma fonte diplomática que pediu o anonimato, Qadir tinha ''grandes divergências'' com os outros membros de sua delegação, uma reunião de diversas etnias e facções afegãs.

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