Comitê de Solidariedade pede paz à população local
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de outubro de 2000
Emerson Dias De Foz do Iguaçu 
A comunidade árabe de Foz do Iguaçu fundou um comitê com o objetivo de manter vigília sobre os acontecimentos entre israelenses e palestinos e também conscientizar a população local para que mantenha a paz, evitando qualquer manifestação de violência.
Formado por empresários, autoridades políticas e líderes religiosos, o Comitê de Solidariedade ao Povo Árabe-Palestino representa cerca de 10 mil imigrantes do Oriente Médio que vivem na fronteira entre Brasil e Paraguai. O grupo vem fazendo orações e vigílias todos os dias na Mesquita da cidade, além de manifestações públicas pedindo paz entre Israel e Palestina. Segundo Armando Ghazaoui, 31 anos, a intenção do comitê é sensibilizar tanto a comunidade, quanto as autoridades brasileiras sobre os problemas enfrentados no outro lado do mundo. A maior preocupação nossa aqui no Brasil são as pessoas que fazem provocação, esperando que uma onda de violência se espalhe pelo País. Estes são os verdadeiros sionistas da atualidade, comentou o empresário, fazendo alusão ao movimento judaico que expulsou árabes de suas terras, e comparando-o às reportagens provocativas veiculadas por alguns jornais e televisões.
Reda Sueid, 38 anos, destaca ainda que os maiores inimigos dos judeus e palestinos são as grandes potências, principalmente os Estados Unidos, que não demonstram qualquer interesse em definir uma solução para o caso. Sabemos que, desde 1947, mais de 100 resoluções foram apresentadas na ONU, mas a única acatada até agora foi a criação do Estado de Israel. Não queremos guerra, mas esperamos que o povo palestino também tenha seu território previsto nos encontros internacionais.
Já o comerciante Mohamed Ismail, 33 anos, acha que a principal função da entidade criada em Foz é fazer o dever de casa, não deixando que as indiferenças cheguem até os moradores. Temos amigos judeus aqui em Foz. Esta convivência demonstra que a população está consciente.
O líder religioso da comunidade árabe de Foz, sheik Taleb Jomaa, 32 anos, também concorda com Ismail. Para ele, a harmonia entre as etnias existente na fronteira deve servir como exemplo para o Brasil e o Mundo. Nossas manifestações foram pacíficas e tiveram o apoio de padres, pastores, políticos e integrantes do Movimento pelos Direitos Humanos. Queremos paz, apenas isso.


