A comunidade árabe de Foz do Iguaçu fundou um comitê com o objetivo de manter vigília sobre os acontecimentos entre israelenses e palestinos e também conscientizar a população local para que mantenha a paz, evitando qualquer manifestação de violência.
Formado por empresários, autoridades políticas e líderes religiosos, o Comitê de Solidariedade ao Povo Árabe-Palestino representa cerca de 10 mil imigrantes do Oriente Médio que vivem na fronteira entre Brasil e Paraguai. O grupo vem fazendo orações e vigílias todos os dias na Mesquita da cidade, além de manifestações públicas pedindo paz entre Israel e Palestina. Segundo Armando Ghazaoui, 31 anos, a intenção do comitê é sensibilizar tanto a comunidade, quanto as autoridades brasileiras sobre os problemas enfrentados no outro lado do mundo. ‘‘A maior preocupação nossa aqui no Brasil são as pessoas que fazem provocação, esperando que uma onda de violência se espalhe pelo País. Estes são os verdadeiros sionistas da atualidade’’, comentou o empresário, fazendo alusão ao movimento judaico que expulsou árabes de suas terras, e comparando-o às reportagens provocativas veiculadas por alguns jornais e televisões.
Reda Sueid, 38 anos, destaca ainda que os maiores inimigos dos judeus e palestinos são as grandes potências, principalmente os Estados Unidos, que não demonstram qualquer interesse em definir uma solução para o caso. ‘‘Sabemos que, desde 1947, mais de 100 resoluções foram apresentadas na ONU, mas a única acatada até agora foi a criação do Estado de Israel. Não queremos guerra, mas esperamos que o povo palestino também tenha seu território previsto nos encontros internacionais.’’
Já o comerciante Mohamed Ismail, 33 anos, acha que a principal função da entidade criada em Foz é ‘‘fazer o dever de casa’’, não deixando que as indiferenças cheguem até os moradores. ‘‘Temos amigos judeus aqui em Foz. Esta convivência demonstra que a população está consciente.’’
O líder religioso da comunidade árabe de Foz, sheik Taleb Jomaa, 32 anos, também concorda com Ismail. Para ele, ‘‘a harmonia entre as etnias existente na fronteira’’ deve servir como exemplo para o Brasil e o Mundo. ‘‘Nossas manifestações foram pacíficas e tiveram o apoio de padres, pastores, políticos e integrantes do Movimento pelos Direitos Humanos. Queremos paz, apenas isso.’’

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