Comissária da ONU visita a Chechênia
France Presse
De Nazran
A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Mary Robinson, começou ontem, no Cáucaso, uma controvertida visita, destinada a comprovar as atrocidades atribuídas às tropas russas na Chechênia.
Em sua chegada ao Norte do Cáucaso, Robinson deveria se encontrar com Ruslan Aushev, presidente da Inguchétia, a pequena república russa vizinha à Chechênia, que recebeu 220 mil civis que fugiram da guerra.
Depois do encontro com Aushev, a Alta Comissária iria visitar alguns dos abarrotados campos de refugiados instalados na Inguchética, desde quando as tropas russas lançaram sua campanha terrestre contra a rebelião chechena, em 1º de outubro.
Hoje, Robinson voa para Grozny, a capital da Chechênia arrasada pela guerra, para obter informações em primeira mão sobre a situação. No local, ela vai inspecionar o núcleo do Ministério da Emergência, um hospital de campanha e o centro de detenção de Chernokozovo, onde, segundo testemunhas, houve vários assassinatos, violações e outras atrocidades. Essas acusações têm sido desmentidas pela Rússia, que nega seu caráter sistemático.
A ex-presidenta irlandesa prevê voltar a Moscou na última hora de hoje para participar de uma série de encontros com autoridades civis e militares russas, amanhã.
Robinson, que provocou a ira de Moscou com suas críticas ao que os russos chamam de operação antiterrorista na Chechênia, vai prestar contas de sua viagem aos 53 membros da Comissão de Direitos Humanos da ONU em Genebra ao final da viagem.
Com esta visita, ela será a mais importante autoridade ocidental a percorrer a república rebelde desde o início da intervenção militar russa na região. Estou convencida de que houve atos de violência dos dois lados, afirmou Robinson em sua chegada a Moscou, anteontem. É muito importante que se investiguem as acusações de violações dos direitos humanos e também que se evite a impunidade.
Quero reforçar a cultura dos direitos humanos, disse. Robinson também procurou ser conciliadora, ao dizer que, ao aceitar sua visita, Moscou reconhece a legitimidade das preocupações da comunidade internacional.





