São Paulo - A Assembleia Nacional da Venezuela, de maioria governista, criou ontem uma comissão apenas com deputados chavistas para investigar os episódios de violência após as eleições presidenciais do dia 14 pelos quais o governo culpa o governador da oposição e candidato derrotado à Presidência, Henrique Capriles.
O deputado chavista, Pedro Carreño, que integrará a instância e é presidente da comissão de Controladoria da Casa, informou que a participação da oposição "não democrática" na comissão seria perda de tempo.
"A oposição que não é democrática não pode formar parte de uma comissão democrática. Seria um exercício ocioso de investigação parlamentar colocar uns deputados que não vão reconhecer os fatos. Esses parlamentares não farão parte da comissão mista", disse Carreño.
Na semana passada, o presidente da Assembleia, o chavista Diosdado Cabello, decidiu vetar a palavra a deputados opositores e os destituiu da direção de comissões parlamentares em protesto porque eles contestam a vitória do presidente Nicolás Maduro nas eleições do dia 14 por menos de 2% dos votos.
A oposição é dona de 41% das cadeiras (68 de 165 deputados) e tinha, até então, quatro presidências e quatro vice-presidências das 15 comissões parlamentares da Casa.
A Justiça e o Ministério Público, alinhados ao chavismo, responsabilizaram publicamente Capriles por oito mortes de seguidores chavistas que, segundo o governo, foram provocadas por partidários da oposição após a convocatória de de governador a protestos contra o resultado eleitoral. As circunstâncias das mortes são questionadas por opositores assim como a imprensa simpática a Capriles.
Segundo a procuradora-geral da Venezuela, Luísa Estela Díaz, nove pessoas morreram e 78 ficaram feridas nos primeiros dias após as presidenciais do domingo dia 14.Os primeiros episódios de violência aconteceram após a convocatória feita por Capriles para que seus seguidores protestassem pacificamente.
Tanto Díaz, alinhada ao chavismo, como a cúpula da Justiça, também governista, culpam o líder opositor pelas mortes. Políticos e a imprensa ligada à oposição questionam os relatos que vinculam os distúrbios a seus seguidores.

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