Comissão Europeia cobra distribuição de 160 mil refugiados
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quarta-feira, 09 de setembro de 2015
Folhapress 
São Paulo - O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, instou os países da União Europeia a aprovar um plano emergencial de distribuição de 160 mil refugiados entre si, em discurso proferido ontem. Para Juncker, os principais países de entrada desses estrangeiros, Grécia, Itália e Hungria, não podem acolher os recém-chegados sozinhos. "A crise de refugiados não vai simplesmente terminar. É a hora de agir", disse Juncker em Estrasburgo, afirmando que 500 mil refugiados já entraram em território europeu desde o início de 2015.
O plano, agora anunciado oficialmente, envolve a divisão de 120 mil refugiados que se encontram na Grécia, na Itália e na Hungria, somando-os a uma proposta anterior, anunciada em maio, de realocar outros 40 mil que se encontravam apenas na Itália e na Grécia. No total, estes 160 mil seriam divididos entre 22 dos 28 Estados membros da União Europeia (UE) além dos três principais países de entrada dos estrangeiros, Reino Unido, Irlanda e Dinamarca não estão legalmente obrigados a aderir ao plano.
A divisão levaria em conta a situação econômica de cada país e a quantidade de asilos oferecidos até hoje. Alguns dos países, como Eslováquia e Polônia, já haviam criticado a proposta mesmo antes de seu anúncio oficial. Juncker quer que ambos os planos sejam endossados na próxima segunda-feira em uma reunião de ministros do Interior em Bruxelas. "Isso deve ser feito de maneira compulsória", disse. Em Berlim, a chanceler alemã, Angela Merkel, elogiou a proposta e também pediu para que ela se tornasse compulsória. A Hungria foi um dos membros da UE a rejeitá-la.
O canal de TV húngaro N1TV informou ontem que demitiu a cinegrafista Petra Laszlo, flagrada chutando duas crianças refugiadas e fazendo um homem cair enquanto eles corriam da polícia em Roszke, logo após cruzarem a fronteira com a Sérvia na última terça-feira. As imagens da agressão correram o mundo e chocaram a comunidade europeia, atônita com a maior crise migratória no Velho Continente desde a Segunda Guerra Mundial. A cinegrafista ainda não havia dado explicação para o fato até o fechamento da edição.
O flagrante foi gravado pelo repórter alemão Stephan Richter, que divulgou o vídeo no Twitter. Nos 20 segundos de imagem, Petra Laszlo aparece provocando a queda de um homem que levava uma menina. O refugiado cai sobre a criança que levava. Quando o estrangeiro foi reclamar com a cinegrafista húngara, ela estava filmando outro ponto da fuga dos refugiados. O vídeo provocou comoção na internet. O canal em que Laszlo trabalhava é aliado do partido de extrema direita Jobbik, que possui ideias neonazistas, antissemitas e anti-imigração. A agremiação é a terceira maior do Parlamento e faz oposição ao primeiro-ministro Viktor Orban. O canal N1TV informou que demitiu a cinegrafista "por seu comportamento inaceitável".


